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30 outubro 2026

Empresa de OTC O3 Trade amplia atuação corporativa com pedido de autorização

O3 Trade protocolou pedido de licença SPSAV ao BC e entra na fila de 62 empresas que buscam se adequar à nova regra de criptoativos.

Empresa de OTC O3 Trade amplia atuação corporativa com pedido de autorização

A O3 Trade, empresa de São Paulo especializada em operações de OTC (Over-the-Counter) com criptoativos, protocolou, na sexta-feira, 30 de outubro de 2026, seu requerimento de autorização junto ao Banco Central do Brasil para atuar como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV). O pedido foi apresentado dentro do prazo definido para a primeira fase de aprovação prevista na regulamentação de transição que entrou em vigor após as resoluções 519, 520 e 521, publicadas em novembro de 2025.

A iniciativa da O3 destaca seu foco no segmento corporativo. Diferente das exchanges de varejo, a O3 opera exclusivamente no modelo OTC, onde negociações são realizadas por meio de uma mesa dedicada, permitindo cotações pré-negociação e acompanhamento direto até a liquidação. Entre janeiro e outubro de 2026, a empresa registrou um volume bruto de cerca de 2,2 bilhões de USDT, o que corresponde a mais de R$ 10 bilhões em transações. Segundo o fundador Vitor Lobo, a chegada da regulamentação acompanha a expansão do uso de stablecoins por empresas que buscam liquidez e meios de pagamento internacionais.

O cenário de pedidos de licença SPSAV no Brasil

Até o fechamento do prazo, 62 companhias enviaram seus requerimentos ao BC, número que saltou de 38 na quinta-feira. Entre as solicitantes estão grandes nomes internacionais como Coinbase, Ripple, Binance, OKX, Bybit e plataformas nacionais como Mercado Bitcoin, Foxbit, Nubank. Também foram incluídas instituições financeiras tradicionais – Itaú, Inter e Nubank – que, já autorizadas, apenas comunicam sua intenção de operar no segmento.

O monitor SPSAV da Cainvest destacou que, apesar do volume de solicitações, a aprovação ainda depende da análise criteriosa do regulador, que avaliará requisitos de capital, governança, gestão de risco e mecanismos de combate à lavagem de dinheiro. Até o momento, o BC já indeferiu um pedido – o da Higherway Tech Soluções – e algumas empresas menores relataram dificuldades em atender às exigências de patrimônio e compliance.

Perspectivas para 2027 e os impactos da nova regulação

Para a O3 Trade, a obtenção da licença é parte de um plano estratégico que mira o fortalecimento da presença no mercado corporativo brasileiro ao longo de 2027. O diretor comercial Enzo Cobucci afirma que a consolidação regulatória deve ampliar a participação de empresas que utilizam stablecoins em suas rotinas comerciais, criando demanda por soluções de liquidez e infraestrutura financeira robusta.

Analistas apontam que o cenário pode acelerar processos de fusões e aquisições, já que grandes plataformas têm maior capacidade de diluir custos fixos de compliance, enquanto players menores podem buscar parcerias ou modelos cripto-as-a-service. A tendência é que o mercado se torne mais concentrado, mas ao mesmo tempo mais seguro e transparente, reforçando a confiança de investidores institucionais e corporativos.

O pedido da O3 Trade marca um novo capítulo na jornada de profissionalização do setor de criptoativos no Brasil, evidenciando a convergência entre inovação tecnológica e exigências regulatórias cada vez mais rigorosas.