Pular para o conteúdo
30 outubro 2026

Custo de capital sobe acima de 20% e Ibovespa cai 13% após eleição

Reeleição de Lula dispara queda histórica do Ibovespa e eleva o custo de capital, mudando o panorama de investimentos.

Custo de capital sobe acima de 20% e Ibovespa cai 13% após eleição

Na segunda-feira que se seguiu à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, o mercado brasileiro reagiu de forma abrupta. O Ibovespa iniciou o pregão em 176.608,23 pontos e terminou com uma queda de 13,88%, ao atingir 162.134,90 pontos, acionando o circuit breaker pela primeira vez desde a pandemia de. O índice perdeu mais de 28 mil pontos em poucos minutos, configurando uma das maiores retrações diárias da história da bolsa.

Elevação do custo de capital e seu reflexo nos retornos

Em paralelo à forte desvalorização do índice, o banco Morgan Stanley divulgou um relatório que aponta um custo de capital (Ke) médio de 20,1% para empresas brasileiras em 2027. Esse patamar está próximo dos níveis de tensão observados no final de 2025 e supera o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) médio projetado para a maioria das companhias, que gira em torno de 17,3%.

Os estrategistas Nikolaj Lippmann, Julia Nogueira e Marcos Rios destacam que o cenário de “juros mais altos por mais tempo” pressiona os investidores a buscar ações capazes de gerar retornos acima do custo de capital, ao invés de apostar em estratégias amplas de índice.

Setores que resistem ao cenário de custos elevados

De acordo com a análise, apenas os setores financeiro e de energia demonstram capacidade de superar o novo patamar de custo. As instituições financeiras apresentam um ROE mediano estimado em 25,1% e as companhias de petróleo e gás, 21,1%, ambos acima dos 20,1% exigidos. Em um cenário ainda mais adverso, com custo de capital chegando a 23%, cerca de dois terços das empresas financeiras ainda entregariam retornos superiores, enquanto os demais setores sofreriam declínio significativo.

Os analistas ainda reforçam a preferência por empresas exportadoras, rotuladas como “Brazil com Z”. Estas companhias operam em dólares, acessando um custo de capital de aproximadamente 12,3%, muito inferior ao custo em reais. O enfraquecimento do real beneficia ainda mais esse grupo, que inclui nomes como Petrobras (PETR4), PRIO (PRIO3), Nu Holdings (ROXO34), WEG (WEGE3) e Embraer (EMBJ3).

Impacto nos demais segmentos e recomendações de investimento

Setores dependentes do consumo interno – como varejo, construção civil, utilities e imobiliário – enfrentam forte pressão. Empresas altamente alavancadas podem ver suas despesas financeiras dispararem caso a taxa de juros se mantenha elevada. Por outro lado, segmentos tradicionais como mineração e siderurgia apresentam valorações atrativas, negociando perto de 1,3 vezes o valor patrimonial e entregando ROE próximo a 19%.

Com o mercado reavaliando a política fiscal e a necessidade de um ajuste fiscal concreto, investidores de longo prazo podem encarar a queda atual como oportunidade de compra, focando em companhias com receitas dolarizadas e alta rentabilidade. Entretanto, a volatilidade permanece alta, e a escolha de ativos deverá priorizar aqueles que entregam retornos consistentes acima do custo de capital.