Na manhã de domingo, com 100% das urnas apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou o resultado definitivo da disputa presidencial de 2026. O candidato do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, obteve 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro, do PL, ficou com 59.826.041 votos (48,21%). Essa virada marca a primeira vez desde a redemocratização que um candidato que estava atrás no primeiro turno consegue superar o adversário no balotinho decisivo.
Resultados gerais do segundo turno
Entre o primeiro e o segundo turno, Lula acumulou mais 10,3 milhões de votos, enquanto Flávio aumentou seu total em 3,7 milhões. O diferencial ampliou-se para 4,43 milhões a favor do petista. O acréscimo de eleitores foi expressivo: cerca de três milhões de pessoas a mais foram ao voto em relação à primeira votação, o que fez a taxa de abstenção cair para 19,22%, a menor registrada em segundos turnos desde 2006.
Viradas regionais que determinaram o resultado
No Nordeste, o cenário mudou de forma radicular. Lula passou de 21,5 milhões de votos para 24,45 milhões, quase três milhões a mais, reconquistando o Maranhão e vencendo em todos os nove estados da região. Flávio, por sua vez, avançou apenas 398 mil votos, totalizando 10,80 milhões. No Sudeste, a reviravolta ocorreu em Minas Gerais: o candidato do PL liderou o primeiro turno com 5,78 milhões (48%) contra 5,19 milhões (43%) de Lula; no segundo turno, o petista virou a mesa com 6,35 milhões (50,4%) diante dos 6,24 milhões (49,5%) de Flávio. Em São Paulo, apesar de permanecer em segundo, Lula registrou seu maior ganho absoluto – de 9,5 milhões para 12,12 milhões de votos, um salto de 2,6 milhões.
Centro-Oeste: destaque em Goiás
Mesmo perdendo os quatro estados da região, o candidato de Lula registrou o crescimento percentual mais expressivo em Goiás. No primeiro turno, conquistou 1,188,880 votos (31%); no segundo, atingiu 1,585,555 votos, correspondentes a 40% – um avanço de nove pontos percentuais, indicando a eficácia da campanha nas áreas rurais.
Repercussões imediatas nos mercados e no exterior
Logo após a oficialização da vitória, os índices de bolsas reagiram de maneira acentuada: o ETF de ações brasileiras em Tóquio despencou quase 13%, enquanto o real recuou cerca de 10% nos contratos futuros frente ao dólar. Lideranças de países vizinhos elogiaram o resultado – a presidente do México, Claudia Sheinbaum, saudou a democracia brasileira; o presidente do Paraguai, Santiago Peña, ressaltou a importância da integração regional. No âmbito institucional, a Febraban parabenizou Lula e colocou sua expertise à disposição do novo governo para tratar de temas bancários.
Desafios e contestação
Flávio Bolsonaro, ainda que derrotado, não aceitou silenciosamente o resultado. Em pronunciamento, o senador alegou possíveis irregularidades, pediu a anulação da eleição e questionou a reabertura das urnas em algumas cidades, referindo-se ao prolongamento do horário de votação decidido pelo ministro Cristiano Zanin. Até o momento, não há indicação de mudança no resultado definitivo, que já foi certificado pelo TSE.



