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29 outubro 2026

Flávio Bolsonaro sai do Brasil com apoio de Tarcísio e enfrenta investigação

Tarcísio orientou Flávio a ficar no Brasil; o senador fugiu, e a PF investiga ligações com dinheiro suspeito e defamação.

Flávio Bolsonaro sai do Brasil com apoio de Tarcísio e enfrenta investigação

Na manhã de 28 de outubro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, concedeu sua primeira entrevista exclusiva após a reeleição e revelou que, junto a advogados e a Rogério Marinho, recomendou ao senador Flávio Bolsonaro que permanecesse no território nacional após a derrota no segundo turno presidencial.

O dirigente afirmou que o conselho visava utilizar os recursos jurídicos disponíveis, como a ação de cassação e o remédio da justiça eleitoral, ao invés de buscar refúgio no exterior. Contudo, destacou que não julga a decisão de Flávio de viajar para os Estados Unidos, onde pretende solicitar asilo, depois que o ex-presidente Donald Trump garantiu a emissão dos vistos.

Pedido de apreensão de passaportes e risco de fuga

Na mesma data, a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um requerimento para confiscar os passaportes do senador, alegando risco de fuga. O pedido foi acatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que decretou a restrição à saída do país e o bloqueio dos documentos.

A PF justificou a medida apontando três fatores: o expressivo poder econômico de Flávio e da família, a existência de estruturas financeiras já instaladas no exterior e a recomendação pública feita por Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, para que ele deixasse o Brasil em caso de derrota.

Relação com o advogado Willer Tomaz e movimentações suspeitas

O inquérito que motiva a apreensão também investiga o advogado e empresário Willer Tomaz, que teria mantido contato próximo com Flávio em viagens ao exterior, inclusive em safáris na África do Sul. Tomaz, ausente do país desde agosto, possuía recursos suficientes para permanecer indefinidamente nos EUA, incluindo participação em jatinhos com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Fiscalizações revelaram que Flávio figurava como “usuário master” na conta bancária da empresa portuguesa Alcazar, sediada na Ilha da Madeira, e que a mesma era utilizada para custear viagens da família em maio de 2025. Tomaz também foi apontado como maior depositante em apostas esportivas no Brasil em 2025, movimentando cerca de R$ 5 bilhões, o que levanta suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Outras apurações: filme Dark Horse, acusação contra Lula e financiamento de imóveis

Além da trama envolvendo Tomaz, Flávio responde a dois outros inquéritos no STF. O primeiro trata de supostas irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a vida de Jair Bolsonaro; a investigação apontou um pedido de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que superaria R$ 100 milhões.

O segundo inquérito investiga uma postagem feita pelo senador em janeiro, na plataforma X, na qual acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, configurando possível calúnia. Por fim, a PF apurou um fluxo de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025, oriundo de apostas online, que seria incompatível com a renda declarada pelo parlamentar.

Os processos permanecem em tramitação no STF, e o mandato de Flávio, que se encerra em janeiro de 2027, será o primeiro a terminar sem que ele ocupe cargo eletivo em 24 anos.