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27 outubro 2026

Investimentos em infraestrutura podem cair por mudança nas regras fiscais

A alta dos juros e a possível revogação da isenção de IR nas debêntures criam temores de retração nos projetos de infraestrutura.

Investimentos em infraestrutura podem cair por mudança nas regras fiscais

O último mandato do presidente iniciou com um volume recorde de captação para obras de energia, rodovias, saneamento e demais setores. Em 2025, as debêntures incentivadas movimentaram R$ 178 bilhões, mas a euforia pode estar ameaçada por discussões fiscais que ganham força no Palácio da Alvorada.

Macro-ambiente: juros e sustentabilidade fiscal

Segundo Ronei Glanzman, CEO da MoveInfra, a agenda de infra deixou de ser exclusiva do governo para se tornar uma política de Estado. Contudo, ele alerta que “a maior preocupação do nosso lado é com as questões macro: a viabilidade do fiscal e como ficam os juros”. O setor depende de endividamento para financiar o CAPEX, e um cenário de juros elevados pode reduzir a atratividade dos projetos.

Debêntures e a isenção de Imposto de Renda

O imposto de renda sobre as debêntures tem sido um pilar de apoio. A equipe do ministro da Fazenda, Dario Durigan, já indicou intenção de rever o benefício. Glanzman citou que “são esses títulos que vêm financiando toda a cadeia”. Caso o governo opte por encerrar a isenção por meio de um decreto ou elevar o IOF, o custo de capital para as empresas de infraestrutura subirá significativamente.

Especialistas de grandes bancos sugerem duas alternativas: reduzir a alíquota de IR para até 5 % ou impor um controle mais rígido sobre a efetiva destinação dos recursos. Sem mudanças, o risco de “desastre para a infraestrutura”, como alertou um analista, permanece alto.

Reação do mercado acionário

O nervosismo já se refletiu nas bolsas. As ações da EcoRodovias caíram 60,5 % neste pregão, enquanto a Motiva recuou 27 %. No setor de saneamento, Sabesp perdeu 21 % e Copasa, quase 24 %. Uma fonte do mercado destacou que “claramente o sentimento está pior” e que, no curto prazo, o ruído macroeconômico pode superar o mérito técnico dos projetos.

Perspectivas para leilões e políticas públicas

O governo planeja até 11 leilões de concessões de rodovias, quatro de ferrovias e nove chamamentos públicos para 2027, além de repactuações no aeroporto de Viracopos e possíveis ajustes em Santos-Dumont. Entretanto, analistas apontam que a taxa forward dos juros, mais que a Selic, será o termômetro que determinará a velocidade da agenda. Comentários sobre a possível nomeação de Alckmin ao Ministério da Fazenda sugerem que sinalizações corretas poderiam aliviar parte da pressão.

Ainda que a estrutura de projetos esteja pronta, a viabilidade financeira depende de decisões fiscais que ainda não foram definidas. O futuro da infraestrutura brasileira está, portanto, em um delicado equilíbrio entre a necessidade de investimentos e a estabilidade macroeconômica.

Autor

Bruno Costa