Na manhã de sexta-feira (25), o Ibovespa começou o pregão com forte queda, perdendo mais de mil pontos e testando a resistência dos 182 mil. A volatilidade refletiu um conjunto de fatores que vão desde a alta inesperada da inflação até a pressão das principais ações da bolsa brasileira.
Queda abrupta e leve recuperação do Ibovespa
Por volta das 11h (horário de Brasília), o índice principal da B3 registrou sua mínima intradiária em 182.151,01 pontos, representando um recuo de 0,99% e uma perda acumulada de 1.814,90 pontos em relação ao fechamento anterior. Já às 12h30, o número havia subido novamente, estabilizando próximo a 183 mil, com queda moderada de 0,17%. Essa oscilação demonstra a dificuldade dos investidores em encontrar apoio sólido diante de um cenário econômico ainda incerto.
Pressão das blue chips e cenário inflacionário
As chamadas blue chips foram responsáveis por boa parte da trajetória descendente. As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) recuaram 1,31% e 1,60% respectivamente, acompanhando a tensão no mercado internacional de petróleo e as discussões sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. A Vale (VALE3), que compõe cerca de 11% do índice, caiu 0,21%, influenciada pela ausência de negociação do minério de ferro na bolsa de Dalian, na China que permanecia fechada por feriado local.
Do lado positivo, a Azzas 2154 (AZZA3) destacou-se com alta de 3,17%, enquanto a Ultrapar (UGPA3) liderou a lista de desvalorização, caindo 3,69%. Esses movimentos reforçaram a ideia de que o fluxo interno de capital ainda está sendo direcionado por setores específicos, enquanto o restante do índice sente o peso da cautela.
O pano de fundo inflacionário também pesou. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) subiu 0,70% em setembro, revertendo a deflação de 0,40% registrada em agosto, e encerrou o período de 12 meses com alta acumulada de 4,47%. Esses números mantiveram viva a preocupação com a política de juros e dificultaram a retomada do otimismo.
Influência do fluxo externo e do dólar
O mercado externo também enviou sinais de alerta. O iShares MSCI Brazil (EWZ), ETF negociado na New York Stock Exchange que replica o desempenho da bolsa brasileira, recuou quase 1%, cotado a US$ 36,42. Essa queda indica uma saída de capital estrangeiro, que historicamente impacta a valorização das ações brasileiras.
Em paralelo, o dólar mostrava comportamento misto. O índice DXY que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis moedas fortes, descia 0,27%, situando-se em 101,018 pontos. Contudo, frente ao real, a moeda americana avançava 0,13%, negociada a R$ 5,2006, após ter atingido R$ 5,2145 mais cedo no dia. No fechamento da sessão anterior, a taxa era de R$ 5,1937.
“Essa recuperação ocorre enquanto o Ibovespa perde fôlego após a abertura e reforça a cautela dos investidores diante da inflação acima do esperado e das incertezas sobre os juros”, analisou Otávio Araújo consultor sênior da ZERO Markets Brasil. Sua observação resume bem o clima de prudência que domina o pregão, apontando que, enquanto os indicadores econômicos permanecem voláteis, o mercado acionário tende a oscilar em torno de limites estreitos.



