A Polícia Federal identificou, por meio de documentos apreendidos em investigação de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, que o senador Flávio Bolsonaro constava como usuário master da conta bancária de uma empresa offshore chamada Alcazar Holdings. O registro levanta a hipótese de que o parlamentar teria acesso operacional relevante e, possivelmente, participação econômica ou societária efetiva na referida holding.
Investigação da Polícia Federal e documentos obtidos
O desdobramento começou no Rio Grande do Sul, onde autoridades investigavam supostos crimes envolvendo a casa de apostas Blaze. Com autorização judicial, o sigilo telemático de Willer Tomaz advogado investigado por irregularidades no INSS, foi quebrado. Entre os arquivos coletados, destacam-se trocas de e-mail entre a secretária do advogado, Fayla Menezes e o banco Santander. Em 22 de maio de 2025, a secretária enviou mensagem solicitando a remoção do perfil de usuário master associado a Flávio Bolsonaro e a uma conta denominada “conta PF Willer”. O banco respondeu poucas horas depois confirmando a exclusão das contas do contrato.
Conta da Alcazar Holdings e vínculos com o avião Legacy 650
A Alcazar Holdings é uma offshore registrada na Ilha da Madeira, sem sócios além de Tomaz. Ela detinha 33,33 % da Fraction 024 empresa que administra o Embraer Legacy 650 de matrícula PP-NLR. Os demais cotistas eram Laerte Cosentino proprietário da Totvs, e a Prime You, empresa vinculada ao banqueiro Daniel Vorcaro. O jato foi utilizado por Flávio Bolsonaro em janeiro de 2025 para viajar de Brasília a Fort Lauderdale, viagem que o próprio senador descreveu como convite de Tomaz. A presença de Flávio como usuário master da conta da Alcazar foi considerada pelos investigadores como elemento que pode esclarecer a “relação indireta” entre o senador e o bem-móvel.
Viagens internacionais, comunicação criptografada e reações
Além da ida à Flórida, a perícia encontrou reservas de voos em Bombardier Challenger 350 que levavam o senador e familiares a destinos na Europa – Lisboa-Nice em 11 de abril de 2025 e Cascais-Nice em 23 de maio, esta última com desti Em março do mesmo ano, Flávio e Tomaz participaram de um safári na África do Sul ao lado do senador Weverton Rocha também investigado no escândalo do INSS. As conversas entre os dois eram mantidas no aplicativo Confide que apaga mensagens após a leitura e impede capturas de tela; o número do senador figurava entre os contatos favoritos de Tomaz. Diante da divulgação, Flávio Bolsonaro afirmou que “toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa” e que o e-mail apresentado comprova a vinculação indevida que foi corrigida. O advogado Willer Tomaz, por sua vez, repudiou as “inverdades” e ressaltou que a relação com o senador se limita a uma amizade sem qualquer vínculo financeiro ou societário, classificando a exposição dos dados como tentativa de interferência eleitoral.



