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25 setembro 2026

Investimento estrangeiro no Brasil: high yield, riscos e ações em foco

Estrangeiros reconhecem o Brasil como mercado de alto retorno, porém ainda ponderam riscos e buscam as melhores ações para entrar.

Investimento estrangeiro no Brasil: high yield, riscos e ações em foco

Nos últimos meses, investidores estrangeiros têm demonstrado um interesse crescente pelo mercado brasileiro, mas ainda mantêm uma postura predominantemente neutra. O Non-Deal Roadshow (NDR) organizado nos Estados Unidos pelo time institucional do Bradesco BBI trouxe à tona esse paradoxo: preços atraentes e a expectativa de queda dos juros contrastam com a insegurança sobre a real desaceleração da economia nacional. Analistas de duas casas de pesquisa apontam que o cenário base indica uma Selic possivelmente em 11% ao final de 2027, mas que a trajetória dependerá de reformas fiscais e da estabilidade política.

Interesse elevado, mas exposição ainda limitada

Durante o NDR, os gestores destacaram que o Brasil despertou alto nível de curiosidade porém a alocação efetiva permanece pouco expressiva. Os principais temores giram em torno da inflação, da volatilidade cambial e dos preços internacionais de petróleo, fatores que podem retardar o ritmo de cortes da taxa básica. Os participantes ressaltam que, enquanto os juros reais ainda são elevados, muitas carteiras estrangeiras aguardam um catalisador claro – como uma melhora consistente dos indicadores fiscais ou a confirmação de um ciclo de queda da Selic – para ampliar a exposição.

Brasil como emissor “high yield” e o viés doméstico

Do ponto de vista dos mercados internacionais, o Brasil é classificado como emissor high yield equivalente a uma nota de risco double B. Essa classificação contrasta com a percepção interna, que costuma ver os títulos públicos como ativos de risco mínimo, quase “Triple A”. O especialista Marcelo Guterman explica que, embora o país pague retornos elevados, o investidor estrangeiro tem que aceitar um nível de risco significativo. Além disso, o fenômeno do home bias impede que investidores brasileiros diversifiquem adequadamente: menos de 2% do capital de fundos globais voltados a emergentes vai para o Brasil, apesar de representar cerca de 70% das oportunidades acionárias da América Latina.

Ações em destaque para quem pensa em entrar

Entre os papéis que ganharam maior atenção, o Nubank lidera as discussões, sobretudo por sua expansão nos Estados Unidos e pela qualidade da carteira de crédito local. No segmento tradicional, BTG Pactual e B3 são citados como veículos que podem captar os benefícios de uma eventual queda da taxa de juros, enquanto Banco do Brasil e XP Investimentos surgem como opções sensíveis a uma melhora macroeconômica. Fora do setor financeiro, PetrobrasRede D’OrCyrela e Cury também aparecem nas listas de preferência. Gestores internacionais – Jeff García (Capital Group), Ola El-Shawarby (VanEck) e Samuel Vecht (BlackRock) – reforçam a ideia de que setores como bancos, saúde, mineração, construção e varejo ainda oferecem ações muito baratas e potencial de retorno superior, sobretudo se a trajetória de juros continuar descendente.

Como acessar o mercado global e reduzir o viés doméstico

A popularização de plataformas de investimento internacional vem diminuindo as barreiras burocráticas e fiscais para o investidor brasileiro. Produtos como ETFs de mercados emergentes, fundos UCITS domiciliados na Irlanda ou Luxemburgo e estruturas de crédito como CLOs permitem obter rendimentos em dólar que superam os índices de referência locais. Esses instrumentos também evitam a tributação de “estate tax” nos EUA e possibilitam o reinvestimento automático dos dividendos. Segundo especialistas, a alocação média de ativos no exterior pelos brasileiros ainda gira em torno de 1%, mas projeções apontam para um aumento para 20% ou 30% nos próximos anos, exigindo que consultores dominem essas opções.

Perspectivas para 2027 e o impacto da política

O consenso entre os analistas indica que, se o governo conseguir avançar nas reformas fiscais e estabilizar a situação política, a bolsa brasileira poderá valorizar consideravelmente a partir de 2027, impulsionada por um ajuste fiscal e pela expectativa de mais cortes na Selic. Contudo, o calendário eleitoral ainda gera volatilidade, e os riscos inflacionários, cambiais e de commodities continuam como fatores de atenção. Para investidores estrangeiros, o desafio será equilibrar a aspiração por retornos high yield com a necessidade de gerenciar a exposição a esses perigos, escolhendo cuidadosamente ações que apresentem fundamentos sólidos e que estejam bem precificadas.