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27 outubro 2026

Citi eleva Caixa Seguridade e Porto Seguro e rebaixa XP e B3

Citi muda foco para empresas com caixa forte e reduz papel de players dependentes de mercado de capitais.

Citi eleva Caixa Seguridade e Porto Seguro e rebaixa XP e B3

Na manhã desta terça-feira, o Citi divulgou um relatório que revisita toda a sua cobertura sobre o setor financeiro brasileiro. O estudo parte da premissa de que, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país deve permanecer em um ambiente de juros elevados e incerteza fiscal por um período mais longo que o inicialmente previsto. Diante desse cenário, a instituição adotou uma postura mais defensiva, privilegiando companhias que demonstram geração de caixa estável, lucros resilientes e menor sensibilidade ao aumento do custo de capital.

Empresas que recebem nota de compra

Entre os ativos que ganharam destaque, a Caixa Seguridade (CXSE3) e a Porto Seguro (PSSA3) foram elevadas para a recomendação de compra. Os analistas do Citi apontam que ambas apresentam um perfil defensivo adequado ao momento macroeconômico adverso: resultados previsíveis, alta geração de caixa e dividendos atrativos. A Caixa Seguridade se beneficia de um modelo de negócios light-on-capital, com pouca necessidade de investimentos intensivos, o que garante maior previsibilidade de desempenho. Já a Porto Seguro, além da diversificação de suas linhas de negócio, tem potencial de ampliar receitas financeiras em um ambiente de juros altos.

O banco também manteve a recomendação de compra para o Itaú Unibanco (ITUB4). O destaque recai sobre a qualidade dos lucros, a disciplina na concessão de crédito e a robusta posição de capital, características que, segundo o Citi, são ainda mais relevantes em um contexto de deterioração das condições financeiras gerais.

Ativos rebaixados ou neutralizados

Em contrapartida, a análise diminuiu a exposição a empresas mais ligadas ao mercado de capitais e ao ritmo de crescimento econômico. As recomendações de XP (XP), B3 (B3SA3), Bradesco (BBDC4), BR Partners (BRBI11) e PagSeguro foram rebaixadas para neutra. O argumento central é que o novo cenário tende a pressionar o apetite por risco, a atividade de emissões, o volume de negociações e os fluxos destinados a produtos de investimento. Embora reconheça a qualidade dos negócios de XP e B3, o Citi entende que a operação depende cada vez mais de volumes de captação e de expansão da base de investidores, fatores que podem ser comprometidos por juros mais altos.

O relatório ainda rebaixou o Banco do Brasil (BBAS3) para venda, citando preocupações sobre a qualidade dos ativos, principalmente na carteira de agronegócio, bem como maior exposição a riscos políticos e a possíveis mudanças de política pública. O Bradesco também viu sua recomendação cair para neutra, refletindo a mesma lógica de vulnerabilidade a um ambiente de crédito mais restrito.

Orientação geral da Citi para investidores

Segundo a equipe de pesquisa, a conjuntura atual favorece companhias com rentabilidade já comprovada, em vez de modelos que dependem de expansão futura. Por isso, a recomendação geral é dar preferência a empresas que entregam caixa no curto prazo, têm capacidade de distribuir dividendos e apresentam menor dependência de ciclos econômicos favoráveis. O banco destaca ainda que, apesar de grande parte dos ajustes de valuation já ter ocorrido após a reação negativa ao pleito eleitoral, a combinação de incerteza fiscal e juros altos justifica prêmios de risco maiores para os ativos brasileiros.

A tabela abaixo sintetiza as mudanças de recomendação e os novos preços-alvo estabelecidos pelo Citi:

Empresa Ticker Recomendação anterior Nova recomendação Preço-alvo anterior Novo preço-alvo
B3 B3SA3 Compra Neutra R$ 20,00 R$ 15,00
Banco do Brasil BBAS3 Neutra Venda R$ 22,40 R$ 15,00
Bradesco BBDC4 Compra Neutra R$ 21,00 R$ 16,00
Itaú Unibanco ITUB4 Compra Compra R$ 51,00 R$ 51,00

Em síntese, a estratégia recomendada pela Citi passa a privilegiar ações defensivas e a reduzir a exposição a players que dependem fortemente de um ambiente de crédito barato e de crescimento econômico acelerado.