A Polícia Federal instaurou, em fevereiro deste ano, um inquérito sigiloso na 9ª Vara Federal de Curitiba que apura crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da plataforma OnilX. O Ministério Público Federal também integra a investigação, que tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná.
O cerne da ação recai sobre a suposta participação de Guedes na promoção de investimentos vinculados a criptoativos. Documentos obtidos revelam que o ex-ministro prestou consultoria estratégica à OnilX, compareceu a reuniões decisórias, recebeu potenciais investidores e teve sua imagem utilizada em materiais publicitários da empresa, que prometia rendimentos de até 2,8% ao mês.
O papel de Paulo Guedes na OnilX
Segundo informações colhidas durante a fase de coleta de provas, Guedes não se limitou a um aconselhamento pontual. Ele participou de encontros descritos como “de alta relevância estratégica”, onde oferecia sua visão macroeconômica e geopolítica. Em uma palestra para quase 500 participantes, elogiou a iniciativa, afirmando que ela poderia “impulsionar o avanço do mundo digital”.
Uso da imagem e captação de recursos
Materiais de divulgação da OnilX exibiam o rosto de Guedes ao lado de executivos da empresa, sugerindo um vínculo direto. Mensagens trocadas entre assessores da plataforma e investidores apontam que o nome do ex-ministro era citado como garantia de solidez, especialmente para aportes entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões.
Repercussões judiciais e suspeita de pirâmide
Entre 12 de junho e 10 de setembro, foram identificadas 108 ações judiciais contra a OnilX, nas quais investidores relatam impossibilidade de resgatar valores investidos em produtos atrelados a criptoativos e stablecoins. Muitos alegam que o modelo de negócios se assemelha a um esquema de pirâmide financeira, já que os lucros prometidos parecem depender da entrada de novos capitais.
A CVM já interveio, suspendendo, em janeiro, ofertas públicas da OnilX relacionadas à intermediação de valores mobiliários. A decisão foi mantida em abril, com extensão limitada aos produtos que prometiam retorno financeiro.
Defesa e representação legal
Os advogados de Guedes, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, também constam como representantes de Fábio Lino no inquérito. A OnilX, em nota oficial, sustenta que a atuação de Guedes foi estritamente consultiva, limitada a temas de macroeconomia, e que ele compareceu à Polícia Federal como testemunha, não como investigado.
Até o momento, o processo avança com despachos, intimações e diligências policiais, sem que haja ainda um desfecho conclusivo. O caso permanece em aberto, despertando intenso interesse tanto da comunidade financeira quanto do público em geral, que acompanha de perto possíveis desdobramentos.



