Com a eleição presidencial se aproximando, os indicadores de intenção de voto exibem empates apertados entre os dois principais candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro. O recente levantamento do BTG Pactual/Nexus indica 40% para Lula e 37% para Flávio no primeiro turno, margem que cabe dentro do erro de duas pontos percentuais, configurando um empate técnico. No segundo turno, os cenários permanecem muito equilibrados: Lula contra Flávio (46% x 45%), contra Augusto Cury (44% x 43%) ou contra Ronaldo Caiado (45% x 45%).
Cenário eleitoral e probabilidade de primeiro turno
Para que um candidato seja eleito já no primeiro turno, é preciso ultrapassar 50% dos votos válidos, excluindo brancos e nulos. A última pesquisa Datafolha mostra 43% de apoio a Lula contra 39% ao filho de Jair Bolsonaro, ainda bem longe da maioria absoluta. Historicamente, apenas as eleições de 1994 e 1998 foram decididas no primeiro turno, ambas marcadas por um contexto de estabilização econômica e polarização reduzida. Analistas apontam que, para que isso ocorra em 2026, seria necessário um declínio abrupto de um dos dois líderes nas últimas semanas – algo que ainda não se evidencia nas métricas atuais.
Desafios fiscais e os caminhos para um ajuste credível
O Brasil encerra o ano fiscal com contas vermelhas: o déficit nominal corresponde a 9,99% do PIB, dos quais apenas 1,19% (cerca de R$ 157,2 bi) são o déficit primário o restante sendo consumido pelos juros da dívida. Segundo a Empiricus Research, para estabilizar a dívida pública é imprescindível alcançar um superávit primário recorrente entre 1,5% e 2% do PIB – um salto de aproximadamente três pontos percentuais em relação ao patamar atual.
Para que esse ajuste seja considerado plausível, os analistas listam cinco pilares: (i) desaceleração das despesas obrigatórias; (ii) revisão de indexações e benefícios; (iii) limitação de novas exceções ao arcabouço fiscal; (iv) metas primárias verificáveis; e (v) preservação da autonomia do Banco Central. A proposta prevê que o esforço seja distribuído ao longo de alguns anos, permitindo a transição de déficit primário para superávit sustentável.
Repercussões nos mercados financeiros
A expectativa de um ajuste fiscal consistente afeta imediatamente as curvas de juros e o câmbio, que incorporam projeções de longo prazo. Caso o plano priorize o aumento de tributos, títulos de renda fixa e a moeda podem se beneficiar, embora a bolsa de valores sofra pela redução da renda disponível e das margens corporativas. Por outro lado, se o ajuste recair sobre a contenção de despesas e a revisão de subsídios, o efeito pode ser mais amplo e duradouro.
Os especialistas da Empiricus preveem que, com um plano credível, o prêmio exigido pelos títulos públicos cairá, reduzindo os juros do Tesouro Direto. Essa queda na curva de juros longos pode atrair fluxos de capital estrangeiro, pressionando o real à valorização e diminuindo a inflação esperada. Em um cenário otimista, o Ibovespa poderia atingir entre 205 mil e 300 mil pontos, impulsionado por múltiplos mais elevados e pela recuperação de crédito, investimento e lucros corporativos.
O que observar nas próximas semanas
Além das pesquisas de intenção de voto, indicadores como taxa de abstenção, votos brancos e nulos ganham importância. Em 2022, 20% do eleitorado ficou ausente das urnas – um número recorde desde 1998. Uma abstenção assimétrica pode favorecer um candidato caso o eleitorado de seu adversário se mantenha em casa. Também é relevante monitorar os índices de rejeição: atualmente 55% dos entrevistados rejeitam Lula e 56% dizem não votar em Flávio, indicando que o decisor final pode ser quem é percebido como menos indesejável.
Investidores que acompanharem de perto as decisões de política fiscal e os movimentos de intenção de voto estarão melhor posicionados para aproveitar oportunidades nos mercados de renda fixa, câmbio e ações.



