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11 agosto 2026

Renda fixa em julho: Debêntures IPCA+ dominam com 1,47% de alta

Em julho de 2026, as debêntures IPCA+ lideraram os retornos da renda fixa brasileira, com alta de 1,47%. Descubra como os diferentes tipos de investimentos se comportaram e o que isso revela sobre o mercado.

Renda fixa em julho: Debêntures IPCA+ dominam com 1,47% de alta

O mercado de renda fixa no Brasil apresentou um desempenho diversificado em julho de 2026, com as debêntures IPCA+ sem incentivo fiscal se destacando como as melhores opções de investimento. Esses papéis registraram uma alta de 1,47% superando outros índices importantes do setor.

Enquanto isso, os papéis atrelados ao DI tiveram um retorno de 1,43% e os títulos públicos pós-fixados, representados pelo IMA-S subiram 1,23%. No extremo oposto, os títulos prefixados do IRF-M avançaram apenas 0,85%.

O desempenho dos títulos públicos em julho

O IMA-S que reflete o desempenho do Tesouro Selic capturou quase integralmente o carrego da taxa básica, sem exposição relevante à marcação a mercado. Segundo Bruno Corano economista e CEO da Corano Capital os títulos prefixados e os papéis IPCA+ também carregavam taxas elevadas, mas parte do ganho foi neutralizada pela curva, que seguiu exigindo prêmio diante do risco fiscal, do calendário eleitoral, da inflação ainda pressionada e do cenário externo incerto.

Os números dos títulos públicos no mês mostram o IMA-Geral com variação de 1,07% o IRF-M com 0,85% o IMA-B com 0,97% e o IMA-S com 1,23%. No acumulado do ano, a sequência se inverte: o IRF-M acumula 5,95% o IMA-B 5,09% e o IMA-S 8,26% confirmando a vantagem dos pós-fixados em um cenário de juros altos e ainda sem sinal claro de queda.

Crédito privado: a dicotomia entre debêntures atreladas ao DI e as incentivadas

No crédito privado, a dicotomia entre debêntures atreladas ao DI e as incentivadas ficou clara em julho. As primeiras, com prazo curto e carrego de um CDI ainda elevado, renderam 1,43% no mês e 8,62% no ano. Já as incentivadas, majoritariamente indexadas ao IPCA e com duration bem mais longa, obtiveram apenas 1,02% em julho e 2,46% no acumulado do ano, abaixo até mesmo dos títulos públicos de inflação.

Corano explicou que a isenção de Imposto de Renda das incentivadas beneficia o retorno líquido da pessoa física, mas não entra no cálculo do IDA-IPCA Infraestrutura. Não se trata, portanto, de uma divergência entre crédito bom e crédito ruim, mas sim entre um ativo que recebe o CDI alto e possui menor duration e outro que depende do comportamento da inflação, dos juros reais e dos prêmios de risco por um período mais longo.

CDBs indexados à inflação: captação de curto prazo e escada de vencimentos

Entre os CDBs ligados à inflação emitidos em julho, a taxa média de 12 meses foi de IPCA+8,32% ante IPCA+8,46% para 24 meses e IPCA+8,39% para 36 meses. O levantamento mostra ainda que a taxa de 12 meses subiu em relação aos 7,94% de junho. Nos prazos observados, a taxa mínima de 12 meses ficou em 7,26% enquanto a máxima atingiu 9,04% oferecida pelo Haitong Brasil.

Para Corano, essa estrutura de taxas reflete uma disputa maior por captação de curto prazo, o que pode indicar necessidades pontuais de liquidez dos bancos ou preferência por não contratar custo elevado por três ou quatro anos. Ele destacou que o prêmio adicional de apenas 0,07 ponto percentual entre a taxa de um ano e a de três anos não compensa automaticamente a perda de liquidez e a exposição mais longa ao mesmo emissor.

No entanto, o especialista recomendou que o investidor não encurte toda a carteira. Quando o papel curto vencer, as taxas reais podem estar consideravelmente menores, o que justifica a construção de uma escada de vencimentos. Dessa forma, é possível aproveitar o carrego atual sem abrir mão de liquidez e, ao mesmo tempo, garantir parte dos retornos reais elevados para um horizonte maior.

ETFs de renda fixa dominam o mercado

A renda fixa continua sendo a preferida dos brasileiros, respondendo por 59% dos investimentos no país. Agora, ela também domina um outro tipo de ativo: os Exchange Traded Funds (ETFs). Esses fundos de investimento replicam o desempenho de um índice e são atrelados a indicadores de mercado, como índices de ações, renda fixa, fundos imobiliários, commodities, moedas e criptoativos.

Um levantamento realizado pelo site ETFs Brasil mantido pela Teva Índices mostra os fundos de índice lançados entre janeiro de 2026 e julho de 2026, e lista, dentre eles, os maiores por patrimônio e captação líquida no período. Neste top 10 ETFs, sete são fundos de índice de renda fixa. Já a gestora com mais representantes no ranking é a BTG Asset com cinco fundos.

Além de dominar o ranking em número de ETFs, a renda fixa é predominante no volume de investimentos. Entre todos os fundos de índice lançados desde 2026, o patrimônio líquido na renda fixa é de R$ 32,38 bilhões. Já o mercado todo de novos ETFs possui R$ 39,53 bilhões. Ou seja, a renda fixa representa 81% da indústria, considerando somente os ativos mais novos.