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5 novembro 2026

PF investiga pagamento de R$ 563 mil a empresa de Paulo Guedes

Paulo Guedes recebeu R$ 563 mil por Pix de empresa acusada de fraude em cripto; o caso está sob investigação da PF e da CVM.

PF investiga pagamento de R$ 563 mil a empresa de Paulo Guedes

Um documento interno comprovou a transferência de R$ 563,1 mil via Pix da companhia ActivosX Onil OTC LTDA para PG&A Consulting LTDA no dia 7 de julho. A consultoria tem no seu quadro societário o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, sua esposa e sua filha, o que desperta dúvidas sobre a real natureza da operação. O valor foi entregue ao contador da empresa, Fábio Lino de Almeida, que também exerce o papel de sócio-administrador da OnilX. A movimentação vem à tona enquanto a Polícia Federal investiga supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo a mesma organização.

Transferência de R$ 563 mil e vínculo de Paulo Guedes com a PG&A Consulting

Segundo a apuração, o pagamento foi efetuado por meio da conta bancária da ActivosX Onil OTC LTDA, empresa ligada ao grupo de criptoativos OnilX. A relação de Guedes com a empresa foi descrita como “consultoria” em macroeconomia, geopolítica e conjuntura econômica, mas também incluiu participação em reuniões estratégicas e encontros privados com potenciais investidores. Material de divulgação da companhia exibiu o ex-ministro ao lado de executivos da Visa, reforçando a percepção de legitimidade. Consultoria nesse contexto passou a ser utilizada como argumento de confiança por parte dos vendedores de produtos vinculados a criptomoedas e stablecoins.

Acusações dos investidores e ação da CVM

Vários clientes relatam dificuldade para resgatar valores aplicados em produtos que prometiam rendimentos de até 2,8% ao mês. Alguns chegaram a classificar a operação como esquema de pirâmide, embora a OnilX negue tal acusação. Uma mensagem enviada por uma assessora da empresa, que integra processos judiciais, indica que o nome de Guedes foi usado para atrair investidores que dispunham de recursos entre R$ 3 e R$ 5 milhões, prometendo reunião direta com o ex-ministro. Em janeiro, a CVM suspendeu ofertas públicas de intermediação de valores mobiliários do grupo; decisão mantida em abril, mas limitada à promessa de rendimento ou contrato de investimento. Até o momento, foram identificadas 108 ações judiciais contra empresas vinculadas ao grupo, entre 12 de junho e 10 de setembro.

Investigação da Polícia Federal e defesa da OnilX

A PF segue analisando se a participação de Guedes teria servido para dar aparência de legalidade a operações que supostamente dificultam o resgate de capital pelos investidores. O inquérito tramita na 9ª Vara Federal de Curitiba, com diligências que incluem a oitiva de Guedes como testemunha, não como investigado, segundo comunicado da própria empresa. Em sua resposta oficial, a OnilX afirma que Guedes prestou apenas serviços consultivos, sem envolvimento direto nas ofertas de investimento, e que a companhia continua cumprindo seus compromissos financeiros com os clientes, além de cooperar proativamente com as autoridades.

O caso ilustra como a presença de figuras públicas pode ser explorada para atrair aportes em setores de alto risco, como o mercado de crédito de criptoativos. Enquanto os investidores aguardam decisões judiciais, a combinação de investigação federal, intervenção da CVM e a exposição midiática aumentam a pressão sobre a OnilX para que esclareça definitivamente a origem dos recursos e a real responsabilidade de Paulo Guedes nas supostas irregularidades.