A Binance Brasil enfrentou uma paralisação de emergência na sexta-feira (30) depois que a sede global sofrera um ataque de segurança. Enquanto a retirada de cripto-ativos ficou temporariamente suspensa, as demais funcionalidades – como negociações e depósitos em Real (BRL) – permaneceram operacionais. No domingo (1º), a corretora iniciou a reabertura faseada das transferências em blockchain, começando às 06:00 UTC e ampliando para 15 redes principais até 12:36 UTC.
Retomada dos saques na Binance Brasil
Entre 06:00 e 15:30 UTC do mesmo dia, o sistema processou US$ 4,649 bilhões em saques e US$ 1,01 bilhão em novos depósitos, gerando uma saída líquida de aproximadamente US$ 3,64 bilhões. Esse movimento corresponde a 2,1% dos US$ 171 bilhões em ativos totais sob gestão (AUM) verificados na auditoria de 28 de outubro. O pico de retirada ocorreu às 08:00 UTC, quando US$ 733 milhões foram movimentados em apenas 30 minutos; logo depois, às 08:30 UTC, os depósitos alcançaram sua máxima diária, somando US$ 187 milhões.
Segurança, segregação e prova de reservas
A filial brasileira reforçou que cumpre integralmente as exigências de segregação patrimonial estabelecidas pelo Banco Central do Brasil, mantendo os saldos dos clientes em contas separadas da própria corretora. Além disso, todas as criptomoedas são armazenadas em cold wallets – carteiras frias desconectadas da internet – para acrescentar uma camada extra de proteção. Para demonstrar a solidez financeira após o incidente, a Binance realizou um novo snapshot de saldos à meia-noite de sábado (31) utilizando prova de conhecimento zero (ZKP) e prometeu divulgar o relatório atualizado de Prova de Reservas (PoR) na segunda-feira (2).
FBI responsabiliza hackers norte-coreanos
Em comunicado divulgado no sábado (31), o FBI identificou a Coreia do Norte como autora do roubo de US$ 6,3 bilhões contra a Binance, apontando o grupo Lazarus e seu sub-grupo TraderTraitor como os responsáveis. A agência também recordou que, em 2025, o mesmo grupo teria realizado um ataque de US$ 1,5 bilhão contra a Bybit. Autoridades americanas listaram 608 endereços de Ethereum e 19 de Bitcoin vinculados ao crime, pedindo que todos os provedores do ecossistema – incluindo operadoras de nós THORNode, corretoras de troca instantânea e serviços DeFi – bloqueiem as transações associadas.
O fundador da THORChain, Chad Barraford, respondeu que, por se tratar de um projeto descentralizado, não há como congelar fundos como faria uma corretora centralizada; os operadores de nós não detêm informações que não sejam já públicas. Ainda assim, ele ressaltou que o objetivo final dos hackers é converter os cripto-ativos em dólares, e que as exchanges centralizadas deveriam cooperar com as investigações.
Enquanto as investigações avançam, a Binance continuou a habilitar gradualmente os saques de moedas como Bitcoin, Ethereum, USDT, USDC e Solana. Em comunicado adicional, a corretora agradeceu à comunidade pela paciência e ao apoio de parceiros que ajudam a rastrear e bloquear os recursos roubados. A empresa reafirmou que testará rigorosamente as redes restantes e divulgará a próxima fase de restabelecimento assim que possível.



