Na noite de 25 de setembro, o presidente Lula recebeu um público surpreendente: mais de 500 empresários de diferentes setores se reuniram no hotel Tivoli Mofarrej em São Paulo. O jantar, inicialmente planejado para cerca de 200 convidados no Hilton, ultrapassou a capacidade prevista, levando o Gabinete de Segurança Institucional a suspender as confirmações. Para acomodar a demanda, a organização mudou o local e adotou um formato de filas, ao invés de mesas, garantindo que todos os participantes pudessem estar presentes.
Ampliação inesperada e mudança de local
A arrancada de convites excedeu a expectativa dos organizadores EsferaPrerrogativas e Parlatório. Quando a lista já ultrapassava duas vezes o número original, o GSI interrompeu novas confirmações e a sede foi transferida para o Tivoli, que oferece maior volume de salas. O novo arranjo, com convidados enfileirados, alterou a dinâmica tradicional de jantares corporativos, mas manteve o objetivo de aproximar o governo das lideranças do mundo empresarial.
Principais nomes presentes e expectativas do empresariado
Entre os presentes estavam figuras de peso como Joesley Batista (J&F), Gilberto Tomazoni (JBS), Gustavo Pimenta (Vale), Benjamin Steinbruch (CSN), Milton Maluhy (Itaú) e Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza). Também compareceram diretores de seguradoras, construtoras e do setor de energia. Os executivos vieram não para apoiar a candidatura do PT, mas para ouvir propostas econômicas que, segundo eles, foram pouco debatidas durante a campanha de 2026. A procura maciça evidencia a ansiedade do setor em obter diretrizes concretas sobre a política fiscal e a segurança jurídica.
Temas centrais: ajuste fiscal e proibição das apostas
O ponto alto da noite foi a apresentação da Medida Provisória nº 1.394 que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país. A decisão, anunciada pouco antes do jantar, recebeu elogios de parte dos empresários, que veem nas apostas online um fator de aumento do endividamento das famílias e, consequentemente, um entrave ao consumo. Paralelamente, o presidente ressaltou que, para ampliar os investimentos, “é preciso parar com essa baboseira de fazer superávit”. Esse discurso reforçou a necessidade de um ajuste fiscal que equilibre as contas públicas sem comprometer o crescimento.
Reações e possíveis desdobramentos políticos
Além de Lula no palco estavam o ministro da Fazenda Dário Durigan o vice-presidente Geraldo Alckmin e presidentes de bancos públicos, como Carlos Vieira (Caixa) e Tarciana Medeiros (Banco do Brasil). Três empresários foram convidados a formular perguntas à equipe econômica, embora seus nomes ainda não tenham sido divulgados. As reações foram mistas: enquanto alguns elogiaram a postura firme contra as apostas, outros alertaram que, sem uma política fiscal clara, o país pode enfrentar choque econômico no próximo ano. Analistas interpretam o tom conciliador de Lula como preparação para um eventual segundo turno, usando seu histórico de gestões para reforçar a credibilidade perante o setor produtivo.



