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1 junho 2026

Estudo aponta Brasil como o país mais otimista em relação às criptomoedas

Uma pesquisa global da LatAm Intersect, baseada na plataforma ECR da Delta Analytics, revela que o Brasil registra o maior nível de expectativa na cobertura sobre criptomoedas, com forte diversificação de interesses e impacto das regras do Banco Central.

Uma análise abrangente da cobertura midiática sobre criptomoedas colocou o Brasil no topo entre todos os mercados monitorados: segundo o estudo da LatAm Intersect, cerca de 75% do material jornalístico brasileiro foi classificado como de expectativa. A pesquisa acompanhou 12 meses de publicações online usando a plataforma ECR da Delta Analytics, permitindo mapear tendências, percepções e temas dominantes em diferentes países.

O relatório não só mensurou sentimentos como também mapeou focos de interesse. No caso brasileiro, a atenção se distribui entre temas tão distintos quanto privacidade, NFTs, trading e o surgimento de novos ecossistemas cripto, o que indica um mercado plural em termos de usos e motivações.

Por que o Brasil aparece tão otimista

Os pesquisadores relacionam parte do otimismo ao avanço regulatório: ações do Banco Central em torno de regras para criptomoedas e stablecoins ajudaram a transformar a imagem do setor. Em vez de ser visto apenas como uma aposta especulativa, o cripto passou a ser associado à participação mais ampla na economia — inclusive em pagamentos e serviços financeiros. Roger Darashah, cofundador e diretor da LatAm Intersect, sintetiza essa leitura ao afirmar que o país demonstra uma “forte visão de futuro” sobre o tema.

Diversidade de usos e narrativa local

No Brasil, o ecossistema é percebido como multifacetado: parte do público e da imprensa destaca o potencial de inclusão por meio de remessas e pagamentos, enquanto outros segmentos exploram oportunidades de investimento e inovação em NFTs e infraestruturas descentralizadas. Essa pluralidade reforça a ideia de que, para muitos brasileiros, o cripto funciona como uma porta de entrada para o sistema financeiro formal.

Comparações regionais: América Latina e além

A pesquisa também mostra que a América Latina, em conjunto, aparece como a região mais otimista do mundo sobre ativos digitais, priorizando inclusão financeira sobre especulação. No México, contudo, o sentimento é mais dividido: aproximadamente 35% da cobertura reflete expectativa e 35% sinaliza medo, concentrando-se em temas de privacidade e regulação. Entre o público hispânico nos Estados Unidos, a expectativa (~42%) supera o medo (~28%), com especial atenção às stablecoins usadas para pagamentos e remessas.

Três perfis de mercado identificados

O levantamento organiza os países em três perfis principais. No grupo liderado por Alemanha e França, o cripto aparece sobretudo como um instrumento financeiro, porém cercado de incerteza. Em outro conjunto — que inclui Emirados Árabes Unidos, Singapura, Reino Unido e audiências anglófonas nos Estados Unidos — a ênfase está em segurança, autonomia e soberania sobre ativos. Na América Latina, predomina a narrativa do acesso: pagamentos, remessas e inclusão econômica vêm antes da mera busca por valorização.

Panorama europeu: surpresa e cautela

Na Europa o mapa emocional é distinto. A França sobressai pelo índice de surpresa — cerca de 90% da cobertura local recebeu essa classificação — um sinal de que os veículos ainda tentam encaixar o cripto nos modelos financeiros tradicionais. Na Alemanha, a surpresa também é dominante (~55%), mas o medo aparece em segundo lugar (~20%), alimentado por ações do regulador BaFin e reportagens sobre lavagem de dinheiro. Na Espanha, disputa-se espaço entre medo (~40%) e surpresa (~30%), refletindo um mercado em definição entre oportunidade e risco.

Implicações para quem atua no setor

Os autores do estudo destacam que conectar mensagens ao contexto local será crucial para ampliar a adoção e construir confiança. Segundo Darashah, a comunicação que respeita motivações específicas — seja proteção de patrimônio, acesso a serviços ou busca por oportunidades — tem mais chance de ressoar com público diverso. Em resumo, o relatório aponta que a narrativa sobre criptomoedas varia conforme necessidades econômicas locais: ganhar, proteger ou acessar recursos.

O relatório da LatAm Intersect oferece, portanto, um mapa valioso para formuladores de política, empresas e comunicadores que precisam entender como diferentes audiências percebem o criptomercado. A leitura combinada de sentimentos, temas e exemplos por país ajuda a desenhar estratégias mais bem calibradas para cada realidade.

Autor

Staff