O Assaí Atacadista está em plena transformação, buscando expandir seus serviços além do varejo tradicional. A empresa, que adquiriu 66 lojas do Extra em 2026, está agora focada em converter suas unidades em centros de serviços completos, incluindo farmácias, serviços financeiros, combustíveis e marketplace.
Essa estratégia visa aumentar a rentabilidade em um cenário de juros elevados e reduzir a pressão financeira decorrente da aquisição e conversão dos pontos do Extra, que consumiu cerca de R$ 7 bilhões. Além disso, o Assaí se prepara para uma mudança no comportamento do consumidor impulsionada pelas canetas emagrecedoras.
Primeira farmácia e planos de expansão
A primeira farmácia da rede foi inaugurada em 16 de julho de 2026, na unidade da Marginal Tietê, em São Paulo. Belmiro Gomes, CEO do Assaí, afirma que a entrada no setor farmacêutico é uma evolução natural do modelo de negócios da companhia. “Se conseguimos vender alimento barato, também podemos vender medicamento barato”, diz o executivo.
A unidade da Marginal Tietê servirá como projeto-piloto para validar a operação. Caso os resultados sejam positivos, a expansão será acelerada, com o objetivo de chegar a mais de 200 farmácias nos próximos anos. Somente neste ano, a companhia pretende inaugurar 25 unidades.
O Assaí conta com uma vantagem competitiva consolidada: o fluxo de consumidores. Hoje, a rede recebe cerca de 40 milhões de clientes por mês em mais de 300 lojas espalhadas pelo país. Essa localização estratégica e volume de clientes permitem negociar preços competitivos na compra de medicamentos.
Impacto dos medicamentos emagrecedores
Além de gerar uma nova fonte de receita, as farmácias também fazem parte da preparação da empresa para uma mudança estrutural no mercado de consumo. Belmiro Gomes acredita que os medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, terão impacto direto sobre os hábitos alimentares da população.
“Acho que vai impactar o mercado alimentar como um todo. É uma revolução da medicina”, afirma Gomes. A empresa já começou a adaptar seu mix de produtos para esse novo cenário, com uma expansão dos açougues e do serviço de fatiamento implantados nas lojas nos últimos anos.
As canetas emagrecedoras também serão comercializadas nas novas farmácias do Assaí. “Depois que uma farmácia é inaugurada, precisamos esperar alguns dias para começar a vender as canetas”, afirma. Apesar da expectativa, Belmiro avalia que a popularização desses medicamentos será gradual.
Expansão de serviços e inovação
A entrada na área de saúde faz parte de um plano muito maior. Depois do lançamento de produtos de marca própria, o grupo também prepara uma ofensiva no mercado financeiro. Com o fim da parceria exclusiva com o Itaú, herdada do GPA, a companhia aguarda autorização do Banco Central para lançar novos produtos voltados principalmente aos cerca de 1 milhão de clientes B2B.
“A companhia estuda expandir seu ecossistema de serviços com soluções como maquininhas de pagamento, programas de cashback, crédito e outros produtos financeiros voltados tanto para consumidores quanto para pequenos comerciantes”, afirma Gomes. O Assaí também avalia investir em postos de combustíveis e ampliar sua presença em marketplaces.
“Com o avanço da eletrificação, talvez consigamos entregar energia mais barata do que a própria casa do consumidor”, diz. Segundo Belmiro, o objetivo é aumentar o número de necessidades que o cliente consegue resolver em uma única visita. “Queremos aumentar nossa participação sobre quem já compra conosco. Não é apenas vender mais alimentos, mas resolver mais necessidades no mesmo lugar.”
Mesmo com a desaceleração do plano de expansão física para priorizar a redução da alavancagem financeira, o CEO afirma que a agenda de inovação nunca esteve tão intensa. “Estamos investindo menos do que gostaríamos para reduzir a dívida, mas preparando o Assaí para um novo ciclo de crescimento.”


