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6 novembro 2026

Mercado de petróleo oscila após eleições nos EUA e tensão no Golfo

Preços do petróleo recuam, mas ainda se apoiam em tensões no Golfo e nas eleições americanas.

Mercado de petróleo oscila após eleições nos EUA e tensão no Golfo

Os contratos futuros de petróleo apresentaram queda ao longo da semana, mas ainda encontram um patamar de apoio sólido. Na sexta-feira (6), as cotações de Brent para entrega em janeiro subiram US$ 1,12, ou 1,14%, alcançando US$ 99,41 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou US$ 0,78, ou 0,86%, para US$ 91,30. Por pouco tempo, o Brent chegou a ultrapassar a marca simbólica de US$ 100, mas a tendência semanal indica queda de aproximadamente 12% para ambos os índices.

Impacto das eleições americanas e das tensões no Golfo

O cenário político dos Estados Unidos mudou na terça-feira, quando o controle do Senado e da Câmara dos Representantes passou dos republicanos ao Partido Democrata. Essa vitória foi interpretada pelos mercados como um indício de que a guerra entre EUA/Israel e Irã poderia sofrer alívio, gerando uma forte venda de petróleo que levou a uma queda de 8% na quarta-feira – o nível mais baixo em dois meses. Contudo, a percepção de que o conflito ainda está ativo evitou uma desvalorização ainda maior.

Ataques recentes a petroleiros reforçam o piso dos preços

Na mesma semana, dois incidentes no Estreito de Ormuz reacenderam o temor quanto ao suprimento do Oriente Médio. Na quarta-feira e na quinta-feira (5), navios carregados de petróleo foram alvos de ataques, levando a incêndios e interrupções nas rotas. O Irã anunciou que três petroleiros sofreram agressões, enquanto a agência britânica UKMTO registrou uma taxa de incidentes perto dos níveis recordes. Tim Waterer, analista-chefe da KCM, descreveu a recuperação dos preços como uma “recuperação técnica” após a onda de vendas, ressaltando que a ameaça no Estreito permanece independente da vitória democrática.

Visões dos analistas sobre o futuro próximo

Instituições financeiras ofereceram leituras distintas. O banco holandês ING apontou que o panorama ainda é “altamente incerto” e que a rapidez da queda recente foi “exagerada”. Já a BOK Financial sugeriu que a liquidação excessiva da quarta-feira pode reverter, especialmente se o Congresso, agora sob controle democrata, contestar o financiamento da campanha militar no Irã. A mesma análise indica que uma potencial elevação da oferta de petróleo do Oriente Médio poderia reduzir o poder de negociação do Irã, pressionando os contratos futuros a buscar um novo ponto de equilíbrio.

Declarações iranianas e a dinâmica do Estreito de Ormuz

Em comunicado, a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou que quatro petroleiros foram destruídos ao colidirem com minas no Estreito, alegando que as embarcações não tinham autorização para atravessar a rota designada por Teerão. O Irã também avistou e destruiu um drone na mesma região. Essas ações ocorrem após declarações do ex-presidente Donald Trump, que afirmou que os Estados Unidos haviam atacado a República Islâmica, elevando ainda mais a tensão na zona.

Conclusões preliminares e horizonte de preço

Enquanto os investidores aguardam sinais claros de desescalada, os preços do petróleo permanecem sensíveis a qualquer notícia que indique um agravamento do conflito. Como resumiu Waterer, “até que exista um caminho confiável para um trânsito mais seguro e barato pelo Golfo, é provável que o petróleo continue encontrando sustentação nas quedas e permaneça sujeito a movimentos bruscos diante de qualquer notícia de escalada do conflito”. Assim, o Brent e o WTI tendem a oscilar em torno da faixa de US$ 90-100, com possíveis variações dependendo da evolução das hostilidades e das decisões políticas em Washington.