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18 outubro 2026

Brasil em clima de tensão: manifestações e primeiro debate entre Lula e Flávio

Protestos nas três capitais, debate ao vivo e disputa de votos mostram a intensidade da corrida presidencial de 2026 no Brasil.

Brasil em clima de tensão: manifestações e primeiro debate entre Lula e Flávio

Na manhã de 18 de outubro de 2026, milhares de eleitores saíram às ruas de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro para demonstrar apoio ou repúdio aos principais candidatos ao governo. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca a reeleição, o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, prepara-se para o primeiro debate televisado da campanha, marcado para as 20h na Band.

Em São Paulo, a Avenida Paulista se transformou em um grande palco colorido: bandeiras amarelas, verdes e azuis – cores da bandeira nacional – eram brandidas por simpatizantes de Flávio, que ouviam o candidato discursar para a multidão. No mesmo dia, a Praça dos Três Poderes, em Brasília, recebeu uma concentração de eleitores vestindo vermelho, símbolo do Partido dos Trabalhadores, que marcharam em apoio a Lula. Já no Rio de Janeiro, estudantes universitários organizaram um protesto contra Bolsonaro, reforçando a divisão que tem marcado a política nacional nos últimos dez anos.

Mobilização nas ruas: discursos e símbolos

Os atos foram marcados por frases de efeito e objetos de protesto simbólicos. Em São Paulo, a manifestante Vera de Sousa gritou “Eu não gosto de bandidos. Fora, Lula!” enquanto exibia um inflável de Lula vestido de presidiário. Em Brasília, cânticos de “Bolsonaro na cadeia” ecoaram, acompanhados de uma imagem do ex-presidente com as mãos ensanguentadas. Já a apoiadora de Lula, Sonia Maria, declarou: “Precisamos que o atual governo continue no poder. Se entrar outro governo, estamos, desculpe a expressão, ferrados.”

Essas manifestações refletem uma polarização que remonta à década passada, quando acusações de corrupção contra o PT e a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado passaram a se tornar argumentos centrais nas campanhas. Lula cumpriu 580 dias de prisão entre 2018 e 2019, enquanto Bolsonaro cumpre pena domiciliar de 27 anos por conspiração, apesar de estar fora da prisão por questões de saúde.

Painel das pesquisas: quem deve conquistar os 33 milhões de indecisos?

Com 33 milhões de eleitores ausentes no primeiro turno – cerca de um quinto do eleitorado qualificado – a corrida para o segundo turno se torna ainda mais disputada. Pesquisas recentes realizadas pelo Datafolha e pela Quaest indicam que Flávio Bolsonaro tem vantagem entre eleitores com renda superior a dois salários mínimos (R$ 3.242), enquanto Lula lidera entre os eleitores de menor renda.

Segundo o Datafolha, entre quem ganha até dois salários mínimos, 53 % apoiam Lula contra 38 % de Flávio; na faixa de 2 a 5 salários, a vantagem se inverte (40 % x 55 %); já entre quem ganha mais de cinco salários, Flávio chega a 59 % contra 34 % de Lula. A Quaest apresenta números semelhantes, reforçando a tendência de que a classe média alta está mais inclinada ao candidato do PL.

Os levantamentos também trazem um recorte racial: no Datafolha, Lula lidera entre pretos e pardos (54 % e 47 %), enquanto Flávio tem maior apoio entre brancos (54 %). A Quaest reproduz padrão parecido, com Lula à frente entre pretos (51 %) e Flávio predominando entre brancos (51 %). Esses resultados evidenciam como renda e identidade racial continuam a moldar as preferências eleitorais.

Debate ao vivo e controvérsia nas plataformas digitais

O confronto direto entre os candidatos será transmitido pela Band, a partir das 20h de domingo, e deve ser marcado por ataques pessoais, conforme antecipado pelos próprios participantes. O último debate do primeiro turno foi cancelado depois que Lula e Flávio desistiram de participar; desta vez, a expectativa é que a disputa seja ainda mais acirrada.

Ao mesmo tempo, a campanha tem sido assombrada por acusações de viés nas plataformas Meta que incluem Facebook e Instagram. O candidato do PT alegou que sua conta no Instagram teve publicações restringidas, enquanto mensagens vazadas da própria Meta mostraram que o algoritmo recomendava o perfil de Flávio Bolsonaro e seu canal no WhatsApp para usuários. A empresa, por sua vez, atribuiu os problemas a falhas técnicas globais e negou qualquer favorecimento político, afirmando que “qualquer sugestão de que a Meta favoreça um lado é falsa”.

Organizações da sociedade civil anunciaram protestos planejados para segunda-feira em frente à sede da Meta em São Paulo, reivindicando neutralidade nas eleições. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro, em discurso ao público, afirmou que o julgamento de seu pai foi “uma farsa” e prometeu buscar anistia caso vença, lançando a frase: “Faltam sete dias para livrarmos o Brasil do PT. E vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente no filho dele.”

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as próximas semanas prometem ser decisivas. A combinação de mobilizações de rua, debates ao vivo e a disputa por influência nas redes digitais cria um cenário onde cada ponto de contato com o eleitor pode mudar o rumo da eleição presidencial de 2026.

Autor

Bruno Costa