Pular para o conteúdo
1 novembro 2026

Citi recomenda venda de Banco do Brasil e novo teto da CBS surpreende investidores

Lula ganha, mercados caem, Focus ajusta inflação e Citi sinaliza risco ao Banco do Brasil

Citi recomenda venda de Banco do Brasil e novo teto da CBS surpreende investidores

A confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira (26) alterou drasticamente o clima nos mercados. Operadores que apostavam em um triunfo de Jair Bolsonaro viram seus posicionamentos se desvalorizar, o que provocou quase 30% de queda no ETF EWZ, negociado em Nova York, e uma retração nos ADRs de companhias brasileiras listadas no exterior. O foco de atenção migrou dos indicadores globais para a questão eleitoral, colocando o Brasil no centro das estratégias de curto prazo.

Focus diminui projeções de inflação e altera expectativas para a Selic

O Relatório Focus, divulgado na mesma segunda-feira (26), trazu uma leve revisão nas expectativas de preço. A mediana do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026 recuou de 5,22% para 5,19%, ainda acima da zona de tolerância de 5%, enquanto a projeção para 2027 subiu de 4,32% para 4,34%, marcando a segunda alta consecutiva. Essas alterações ainda não incorporam o impacto direto das eleições, pois a pesquisa foi concluída antes do pleito. Os economistas do Banco Central (BC) ainda apontam para possíveis ajustes na taxa Selic nas próximas edições do Focus.

Citi rebaixa Banco do Brasil e recomenda venda

Em resposta ao cenário pós-eleitoral, analistas do Citi revisaram a cobertura dos bancos e mudaram a recomendação do Banco do Brasil (BBAS3) para venda. O preço-alvo foi reduzido de R$ 22,40 para R$ 15, sinalizando um risco de queda em torno de 20% em relação ao fechamento da segunda-feira (27). O estudo aponta vulnerabilidades na qualidade dos ativos do banco, principalmente no segmento de agronegócio, além de uma maior exposição a riscos políticos e regulatórios que podem se intensificar nos próximos anos.

TCU aprova alíquota de 11,3% para a CBS

Na quarta-feira (28), o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, por unanimidade, adotar a alíquota de 11,3% para a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), a ser implantada em 2027 com a entrada em vigor da reforma tributária. O percentual supera a estimativa inicialmente apresentada pelo governo. A medida consolida a substituição do PIS/Cofins e a unificação de ICMS e ISS em um único Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O resultado já segue para o Senado, onde será deliberado antes da implementação.

Indicação ao STF e reforma do Judiciário ganham força

Com a vitória confirmada – 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro – o presidente Lula pode avançar na indicação de Rodrigo Pacheco ao Supremo Tribunal Federal ainda neste mandato, antes da renovação da presidência do Senado em fevereiro. A estratégia busca evitar que senadores recém-eleitos, mais alinhados à direita, bloqueiem o nome. Ao mesmo tempo, o governo prepara uma reforma gradual das regras de ingresso e permanência no STF, incluindo a elevação da idade mínima para 60 anos, o que limitará a permanência máxima dos ministros a cerca de 15 anos. A discussão surge em um contexto de tensão entre o Executivo e o Judiciário, alimentada por casos recentes como o do Banco Master e do INSS.

Em paralelo, o debate sobre a composição do TCU também se intensifica. A eventual saída de Pacheco para o Supremo abriria vaga no Tribunal de Contas, que pode ser preenchida por nomes como a ex-ministra Simone Tebet ou senadores Randolfe Rodrigues e Renan Calheiros, conforme fontes do governo. Essas movimentações revelam como a reforma tributária, a política de indicações e as revisões inflacionárias estão interligadas, definindo novos parâmetros para investidores, reguladores e o próprio modelo institucional brasileiro.