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31 outubro 2026

Alasca, Califórnia e a corrida pelo Senado: controvérsias e processos

A corrida pelo Senado dos EUA tem ganhado novos contornos com investigação sobre candidato homônimo no Alasca e disputa judicial sobre votos por correspondência na Califórnia.

Alasca, Califórnia e a corrida pelo Senado: controvérsias e processos

À medida que o último fim de semana antes da votação de meio de mandato se aproxima, o governo dos Estados Unidos tem intensificado sua presença jurídica em duas frentes decisivas. No Alasca, o Departamento de Justiça (DOJ) abriu uma investigação criminal para apurar se assessores da senadora democrata Mary Peltola teriam recrutado o professor aposentado Daniel J. Sullivan Jr. – um candidato independente que compartilha o mesmo nome do incumbente republicano Dan S. Sullivan. Em paralelo, na Califórnia, um tribunal federal de apelações rejeitou o pedido do DOJ que visava descartar mais de 20 mil cédulas de voto por correspondência supostamente de eleitores não-cidadãos.

Investigação federal no Alasca e o caso Dan Sullivan

O procurador federal do Alasca, Michael Heyman, informou que, após a publicação de um relatório do New York Times, o FBI aumentou recursos dedicados à apuração de um possível esquema para confundir eleitores. A denúncia aponta que assessores de Peltola teriam coordenado com o Comitê Democrata de Campanha para o Senado a candidatura de Daniel J. Sullivan Jr., cujo nome idêntico poderia desviar votos do senador republicano Dan S. Sullivan. Heyman descreveu o candidato como um “candidato falso” e destacou que a investigação está avançando “de forma intensa e rápida”.

Reações de Mary Peltola e do DOJ

Mary Peltola e a equipe de campanha negam veementemente qualquer envolvimento no suposto recrutamento. A ex-gerente de campanha, Elisa Rios, teria afirmado ao jornal que a candidata estava ciente da estratégia, mas Peltola repudiou a acusação, declarando: “Eu não sabia nada sobre qualquer outro candidato na cédula além de mim e do ocupante do cargo”. O professor Sullivan Jr. também se pronunciou, afirmando que não recebeu nenhum incentivo da parte dos democratas e que sua candidatura não tinha a intenção de causar confusão. Enquanto isso, o DOJ avançou com uma ação civil que, segundo Heyman, foi acelerada após a divulgação das informações jornalísticas.

Controvérsia dos votos por correspondência na Califórnia

Em início de semana, a Corte de Apelações dos Estados Unidos decidiu, por 2 a 1, que o Departamento de Justiça não conseguiu demonstrar a necessidade de uma ordem de emergência para que a Califórnia descartasse as cédulas de voto por correspondência de mais de 20 mil eleitores registrados, alegadamente não-cidadãos. O vice-procurador-geral interino Trent McCotter indicou que o caso provavelmente chegará à Suprema Corte, com petição a ser apresentada antes da eleição de terça-feira.

Posição do governo e reações jurídicas

O governo de Donald Trump, que tem pressionado o DOJ a agir em diversos estados, também entrou com novo pedido judicial para impedir que cerca de 30 estados e o Distrito de Columbia forneçam listas eleitorais sem censura. Um juiz federal, porém, ordenou na sexta-feira que o DOJ cesse as ameaças de processo contra autoridades eleitorais da Califórnia que não cumpram as diretrizes federais. O especialista Sean Morales-Doyle, do Brennan Center for Justice, comentou que essas medidas, embora de baixa probabilidade de sucesso, visam criar incerteza e semear medo nas administrações estaduais.

Impacto nas disputas do Congresso e outras frentes

O Alasca representa uma das 35 disputas pelo Senado que, juntamente com as 435 cadeiras da Câmara, decidirão se os republicanos manterão o controle do Congresso durante os dois últimos anos da presidência de Trump. Atualmente, o Senado tem maioria de 53 a 47, enquanto a Câmara apresenta uma margem estreita a favor dos republicanos. A votação antecipada já registrou mais de 51 milhões de eleitores – número superior aos quase 46 milhões de votos antecipados nas eleições de 2022, segundo o Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida.

Em Michigan, a corrida entre o democrata Abdul El-Sayed e o republicano Mike Rogers também revela tensões internas: a deputada federal Haley Stevens pediu que El-Sayed se abstivesse de participar de seus eventos para evitar distrações, enquanto exigiu que ele condenasse um anúncio controvertido contra Israel. Esses desentendimentos internos são observados como potenciais fatores que podem influenciar o resultado final nas corridas pelo controle do Congresso.

Em meio a esta atmosfera de disputas judiciais e políticas, Trump seguiu para seu clube Mar-a-Lago em Palm Beach, antes de retomar a campanha em Kansas e Iowa no domingo. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos realizada entre 30 de setembro e 5 de outubro mostra que 76% dos eleitores dos EUA confiam que seus votos serão contados com precisão, reflexo de uma percepção de legitimidade apesar dos embates em curso.