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9 outubro 2026

Investimento externo atinge US$ 1,4 trilhão e B3 recebe fluxo recorde

Investimentos estrangeiros batem recorde e impulsionam a bolsa brasileira depois das eleições.

Investimento externo atinge US$ 1,4 trilhão e B3 recebe fluxo recorde

Ao final de 2025, o Brasil chegou a um estoque de investimentos estrangeiros de US$ 1,4 trilhão, valor que representa o maior acúmulo de capital externo já registrado no país. O levantamento, elaborado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) a partir de dados do Banco Central, mostrou um salto de US$ 275,3 bilhões em relação ao fechamento de 2024, equivalente a um acréscimo de 24,1 %.

Esse incremento reflete três componentes principais: a entrada líquida de recursos ao longo do ano, a variação cambial favorável e a apreciação dos ativos já instalados no território nacional. A combinação desses fatores resultou em quase R$ 1,5 trilhão de recursos recém-injetados na economia, reforçando a percepção de que o Brasil está se consolidando como um destino seguro e atrativo para o capital internacional.

Destaques por origem: Estados Unidos, Europa, Ásia e vizinhos sul-americanos

Os Estados Unidos lideram o ranking de origem dos investimentos, acumulando um estoque total de US$ 304,4 bilhões. Entre 2024 e 2025, o aporte norte-americano subiu US$ 57,9 bilhões, crescendo 23,5 % apesar de um período marcado por tarifações adicionais e tensões diplomáticas. O vigor dos investimentos americanos indica que capitais produtivos continuam a enxergar oportunidades estratégicas no mercado brasileiro.

Na esfera europeia, a soma dos estoques provenientes dos 27 países da União Europeia supera US$ 526 bilhões, com a Alemanha representando US$ 54 bilhões individuais. A presença robusta da UE demonstra que a região permanece como a maior provedora de fluxos de longo prazo para o Brasil.

Do lado asiático, a China avançou 10 % nos aportes, chegando a US$ 45 bilhões após investir US$ 4,1 bilhões em apenas 18 meses. Essa posição eleva o país ao nono lugar entre todas as fontes de investimento no território brasileiro.

Um caso particularmente relevante na América Latina é o Uruguai, que registrou um aumento de 47,5 % (US$ 28,7 bilhões) entre 2024 e 2025, totalizando US$ 89 bilhões e ocupando a quarta colocação no ranking global. A forte integração produtiva e os fluxos fiscais entre os dois países explicam essa expressiva elevação.

Reação da bolsa B3 e setores preferidos após o primeiro turno

Na segunda-feira (5), a B3 recebeu um aporte recorde de R$ 10,06 bilhões de capital estrangeiro – o maior volume intradiário da história da bolsa. O Ibovespa reagiu com alta de 7,70 %, fechando em 206.911,89 pontos, marca histórica tanto em termos nominais quanto reais.

Analistas apontam que o movimento está ligado à expectativa de melhora fiscal trazida pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL), cujo posicionamento sugerido pode reduzir a curva de juros e aliviar a dívida pública. Essa perspectiva fez com que grandes bancos internacionais, como JPMorgan e Morgan Stanley, elevassem suas recomendações de neutro para compra.

Segundo o Itaú BBA, se os fluxos de capitais estrangeiros e domésticos retornarem aos níveis médios históricos, cerca de R$ 270 bilhões poderiam ser repatriados ao mercado acionário, dos quais aproximadamente 45 % viria de investidores externos. Cada ponto percentual de aumento da participação do Brasil no índice MSCI Emerging Markets representaria cerca de R$ 79,3 bilhões; reconquistar a média histórica (5,58 %) implicaria um potencial adicional de R$ 123 bilhões.

Os bancos destacam setores sensíveis a juros e ao desempenho interno como os mais atraentes. Entre as ações preferidas estão empresas de infraestrutura e utilities – Equatorial, Rede D’Or, Sabesp – além de nomes de serviços financeiros como XP e BTG Pactual. No segmento de commodities, companhias como JBS, Embraer e São Martinho continuam no radar, enquanto o setor de energia conta com destaque para Petrobras e Ultrapar.

O otimismo não se limita ao ambiente eleitoral; há ainda um movimento de rotação de carteiras globais para ativos menos expostos à corrida da inteligência artificial, buscando oportunidades em mercados considerados “baratos”. Essa diversificação reforça a confiança no Brasil como um “porto seguro” em meio a incertezas geopolíticas.

Embora o rali de segunda-feira tenha sido seguido por realização de lucros – a bolsa recuou 0,52 % na terça-feira (6) – o índice ainda permanece acima da barreira dos 200 mil pontos, sinalizando que o fluxo de capital continua ativo e que o mercado pode encontrar nova estabilidade ao longo dos próximos meses.