A Âmbar Energia empresa do grupo J&F controlado pelos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista apresentou um pacote de investimentos de R$ 5,5 bilhões destinado ao sistema elétrico do Amazonas. A proposta foi detalhada em sessão na Aleam e prevê execução dos recursos até 2031. Do total anunciado, R$ 3,9 bilhões serão financiados com capital próprio da companhia, enquanto o restante virá de repasses do governo federal, com participação do Programa Luz para Todos.
O plano foi elaborado após a empresa assumir a operação da concessionária no estado em abril deste ano. A aquisição da Amazonas Energia fez parte de um pacote que incluiu a compra de 13 usinas termelétricas da Axia por R$ 4,7 bilhões. A transição para o controle privado sucede um processo de desinvestimento iniciado após a privatização da estatal do setor elétrico em 2022.
Apresentação na Aleam e justificativas da empresa
Na audiência na Aleam o diretor-presidente da concessionária, João Pilla descreveu o quadro encontrado como crítico: uma distribuidora que enfrentou restrição de investimentos por anos, problemas financeiros e índices elevados de perdas. Segundo o executivo, o diagnóstico serviu de base para o cronograma de intervenções e prioridades técnicas. Entre as medidas previstas estão a troca de cabos, ampliação da rede de distribuição, revitalização e construção de subestações e a adoção de novas tecnologias de monitoramento.
A empresa destacou que parte do investimento público será canalizada por meio do Programa Luz para Todos e de repasses federais direcionados à interligação de municípios. As obras e modernizações têm como objetivo reduzir os impactos operacionais e ampliar a confiabilidade do sistema, com prazos definidos até 2031 para implementação.
Herança operacional e números centrais
A concessionária assumida pela Âmbar vinha apresentando índices de perda elevados: cerca de 44% da energia injetada na rede não era faturada, segundo o plano apresentado. Esse percentual alto é atribuído a desvios, ligações irregulares e ao desgaste da infraestrutura. O roteiro de investimentos inclui medidas de combate às perdas, como a substituição de cabos antigos por versões concêntricas revestidas, implantação de sistemas de medição e fiscalização remota e ações de regularização de ligações.
A compra da Amazonas Energia e da Roraima Energia foi anunciada durante o processo de venda de ativos da antiga holding estatal, que havia sido rebatizada como Axia. A transferência do controle ocorreu em meio a negociações e ajustes regulatórios iniciados após a privatização da empresa-mãe, com etapas importantes em 2024 e outras movimentações no setor desde 2022.
Reações políticas e recomendação à população
Os parlamentares estadual vinham cobrando melhorias recorrentes no serviço de distribuição de energia. Na sessão plenária da Aleam de 2 de setembro as interrupções no fornecimento voltaram ao centro do debate. Na ocasião, o deputado João Luiz criticou orientações divulgadas pela concessionária e trouxe à discussão uma recomendação oficial da empresa que pedia a substituição do uso de aparelhos de ar-condicionado por ventiladores como medida de economia.
O deputado registrou publicamente sua reclamação com a medida, citando o agravamento das condições climáticas na região: “No calor que o Amazonas enfrenta, com o El Niño castigando nosso povo, a orientação da empresa Âmbar Energia é desligar os condicionadores de ar e ligar ventiladores“, destacou ele durante os debates. Esse episódio reforça a tensão entre decisões operacionais da empresa e a percepção pública sobre a capacidade de atendimento à população.
Impactos operacionais e prioridades técnicas
Do ponto de vista técnico, o plano foca em reduzir as interrupções e aumentar a eficiência: modernização de redes, construção de subestações e adoção de tecnologias de monitoramento que permitam detectar desvios e pane com mais rapidez. A estratégia também prevê ações para formalizar ligações irregulares e combater perdas não técnicas, apontadas como responsáveis por parcela significativa da energia não faturada.
Com a execução dos investimentos até 2031 a expectativa é que a concessionária melhore gradualmente indicadores de qualidade e sustentabilidade do sistema, além de reduzir os custos operacionais decorrentes de perdas e falhas. O cronograma anunciado será acompanhado por autoridades estaduais e também envolve repasses e mecanismos regulatórios que já influenciaram o processo de transição do controle da antiga estatal para a iniciativa privada.



