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24 setembro 2026

Revelações sobre encontros entre Lula e dono do Banco Master

Lula diz que o povo é seu amigo, enquanto mensagens expõem ligações com Vorcaro e provocam denúncia de Flávio Bolsonaro.

Revelações sobre encontros entre Lula e dono do Banco Master

Em visita às obras da BR-116, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o momento para reforçar que sua lealdade está ao povo e não a interesses privados. Ao lado do governador interino Ricardo Couto Lula afirmou que “qualquer benefício tem que ser em prol do povo, não dos amigos”, citando especificamente Daniel Vorcaro proprietário do Banco Master. A fala ecoou em um clima de tensão política, já que o senador Flávio Bolsonaro tem sido crítico aberto ao presidente e ao suposto vínculo com Vorcaro.

Declarações de Lula e a política de atendimento aos municípios

Durante o discurso, Lula ressaltou que seu governo não faz distinção partidária ao atender prefeitos. Segundo o presidente, “não perguntamos de que partido é o prefeito, o que importa é se o projeto traz benefício para a população”. Ele destacou que 95% dos prefeitos já receberam algum apoio do PAC, seja por meio de obras, ambulâncias ou equipamentos médicos. A mensagem foi reforçada com uma crítica a quem “governa para os amigos”, sugerindo que a prática de usar cargos públicos para favores individuais está fora de pauta.

Além disso, Lula condenou a falta de transparência de alguns municípios, afirmando que “muitas vezes o presidente faz investimentos nas cidades e nunca os prefeitos dizem que a obra é do governo federal”. O presidente insinuou que tais autoridades tratam obras como se fossem próprias, minando a visibilidade das ações federais.

Mensagens de WhatsApp revelam articulação entre Vorcaro, seu advogado e o Palácio

O jornal O Globo divulgou trechos de conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro. O advogado Walfrido Warde aparecia como intermediário, tentando abrir um canal direto entre Vorcaro e o presidente. Em abril de, Warde pediu a Vorcaro que enviasse um e-mail sobre os “assuntos de interesse” do Banco Master, a pedido de Marco Aurélio Santana Ribeiro então chefe de gabinete da Presidência, conhecido como “Marcola”.

No mês de maio de, Warde escreveu que havia acabado de sair da sala do presidente às 16h30, relatando que Lula lhe perguntou sobre o e-mail de Vorcaro, ao que respondeu: “Vc é doido”. Uma hora depois, enviou mensagem ao banqueiro confirmando que o encontro ocorreu. Em setembro do mesmo ano, o advogado afirmou ter passado tempo considerável com Lula e solicitou novo encontro com Vorcaro, embora não haja registro de sua presença no Palácio naquele dia.

O ponto central da controvérsia surge em 4 de dezembro de, quando Lula e Vorcaro se encontraram no Palácio do Planalto. Após o encontro, Warde enviou a Vorcaro a mensagem “Parabéns. Soube que foi muito bom”. Pouco depois, em 22 de janeiro de 2025, o advogado relatou que Lula agradeceu um whisky enviado por Vorcaro e mandou um abraço. A mensagem continha ainda um emoji de coração como resposta de Vorcaro.

Denúncia de Flávio Bolsonaro e a posição do Palácio

Na quarta-feira (23), a defesa de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, protocolou uma notícia-crime no STF, dirigida ao ministro André Mendonça. O documento pede a abertura de inquérito na PGR para apurar supostos crimes de corrupção passiva e advocacia administrativa alegando que Lula teria usado o cargo para atender interesses ilícitos de Vorcaro, inclusive ao receber um presente de whisky.

Em resposta, a Secretaria de Comunicação da Presidência confirmou apenas o encontro de 4 de dezembro de, negando qualquer outro contato ou recado de Vorcaro ao presidente. O Planalto afirmou que “não houve nenhum outro contato entre o presidente e Daniel Vorcaro” e que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central. Já o ex-chefe de gabinete, Marcola, declarou que nunca procurou Warde ou representantes do Banco Master, e que qualquer pedido de agenda teria sido tratado de forma burocrática, exigindo e-mail formal.

As mensagens também revelam tentativas de bloquear intervenções de figuras como Gleisi Hoffmann e Aloísio Mercadante que na época ocupavam cargos de alto escalão. Vorcaro teria perguntado ao advogado sobre “como podemos bloquear”, indicando preocupação com possíveis obstáculos institucionais. Tanto Mercadante quanto Hoffmann negaram contato com Warde.

O conjunto de declarações públicas, provas de mensagens e a denúncia judicial criam um panorama complexo que coloca em xeque a relação entre o Poder Executivo e o setor financeiro privado. Enquanto Lula insiste que seu único amigo é o povo a disputa política se intensifica, mantendo o país atento aos desdobramentos judiciais e aos próximos passos dos envolvidos.