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11 setembro 2026

Títulos IPCA+ em 2026: como a desinflação afeta seus investimentos?

Com a inflação desacelerando em agosto, os títulos IPCA+ estão oferecendo retornos menores. Especialistas discutem se ainda valem a pena e como montar uma carteira equilibrada.

Títulos IPCA+ em 2026: como a desinflação afeta seus investimentos?

O mercado financeiro acompanha de perto a divulgação do IPCA de agosto, que registrou uma deflação de 0,32% superando as expectativas. Essa queda foi influenciada principalmente pela redução nos preços da energia elétrica e dos alimentos além de uma diminuição nos custos de combustíveis e vestuário.

Com a inflação mais comportada, os prêmios dos títulos públicos atrelados ao IPCA também têm recuado. O Tesouro IPCA+ 2032 que chegou a oferecer mais de 8% ao ano acima da inflação, agora está em 7,76%. Diante desse cenário, muitos investidores questionam se essa categoria de investimento ainda é atrativa.

Fatores temporários e riscos futuros

Segundo Leandro Manzoni analista e economista do Infoeconomics a deflação de agosto foi influenciada por fatores pontuais, como o bônus de Itaipu nas contas de luz. Ele destaca que, no IPCA-15 prévia da inflação, o custo de energia já havia recuado 6,25% com a possibilidade de retomada dos preços em setembro.

Manzoni reforça que,

André Galhardo economista-chefe da Análise Econômica identifica dois riscos futuros para a trajetória da inflação: o El Niño e a guerra no Oriente Médio. A alta do petróleo, que voltou a subir devido a novas hostilidades, pode impactar os preços dos combustíveis, fretes e embalagens.

Retorno dos títulos IPCA+

Os títulos do Tesouro IPCA oferecem ao investidor a variação do índice de inflação mais uma taxa real definida na compra. Isso significa que o investidor não está apostando em uma inflação elevada, mas sim contratando uma taxa real acima da inflação futura.

Peterson Rizzo head de relações com investidores da Multiplike explica que, mesmo com a desinflação, o retorno real permanece preservado. Ele destaca que, com a política monetária ainda restritiva, os juros reais brasileiros seguem altos, em torno de 8% ao ano nos vencimentos intermediários.

Milene Dellatore sócia-diretora do Grupo Mide acrescenta que o ganho contratado no prêmio real se mantém mesmo com a inflação em queda, mas o caminho oscila. Ela recomenda que o Tesouro IPCA+ seja utilizado para investimentos de longo prazo, não como reserva de emergência.

Estratégias de investimento

Com uma ampla gama de vencimentos disponíveis, os especialistas destacam que cada título serve para um objetivo diferente. Dellatore do Mide aconselha evitar o uso do Tesouro IPCA+ para objetivos de curto prazo, com dois a três anos, recomendando o Tesouro Selic como alternativa mais eficiente.

Luciana Ikedo especialista em investimentos, lembra que títulos do Tesouro IPCA de curto prazo têm menor risco de volatilidade, mas é importante considerar o perfil de cada investidor e seus objetivos financeiros.

A chave é montar uma carteira equilibrada, considerando os riscos e oportunidades do mercado.