A Viridis Mining and Minerals, uma mineradora australiana, está dando passos significativos no desenvolvimento do projeto Colossus, localizado em Poços de Caldas, Minas Gerais. Recentemente, a empresa anunciou a captação de US$ 120 milhões em investimentos, que serão utilizados para financiar a fase de engenharia e aquisição de equipamentos necessários para o início das operações, previsto para 2028.
Esse projeto não só representa um avanço na exploração de terras raras no Brasil, mas também uma estratégia inteligente para agregar valor ao produto final através do refino. A inclusão de um circuito de refino no projeto Colossus é um marco importante para a indústria de terras raras no país.
Investimentos e parcerias estratégicas
A Viridis conseguiu garantir investimentos de diversos parceiros. A gestora global One Investment Management (OneIM) se comprometeu a aportar até US$ 75 milhões. Além disso, investidores estratégicos como ORE Investments e Régia Capital anteciparam US$ 5 milhões e outros investidores institucionais, majoritariamente brasileiros, contribuíram com cerca de US$ 40 milhões.
Com esses recursos, somados a US$ 14 milhões em caixa e US$ 20 milhões disponíveis em um acordo anterior, a Viridis possui aproximadamente US$ 154 milhões em capital próprio, superando a necessidade estimada de US$ 135 milhões para viabilizar o projeto.
Avanços tecnológicos e refino de terras raras
O projeto Colossus prevê um investimento total de US$ 449 milhões com uma produção anual estimada de 9 mil toneladas de carbonato misto refinado de terras raras. A inclusão de um circuito de refino, que custará quase US$ 50 milhões permitirá à Viridis produzir um carbonato misto refinado com maior valor agregado.
O circuito de refino utiliza tecnologia da empresa belga Solvay para realizar a extração por solvente de lantânio, um elemento de baixo valor de mercado, ampliando a concentração de terras raras magnéticas de maior valor. Essa etapa é crucial para elevar a qualidade do produto final, que será destinado principalmente ao mercado europeu.
Perspectivas futuras e desafios regulatórios
A Viridis está concentrando seus esforços na obtenção de contratos de venda de produção (offtake), na estruturação da dívida de longo prazo e na preparação para a decisão final de investimento, prevista para o quarto trimestre de 2026. A expectativa é iniciar a construção do projeto em 2027 e a produção comercial em 2028.
Enquanto isso, o Brasil discute um marco legal do setor que permitirá ao governo vetar parcerias estrangeiras. O projeto de lei, que já foi aprovado na Câmara dos Deputados e está no Senado, amplia os poderes do Executivo para regulamentar o setor e cria uma política para os minerais críticos voltada à defesa da soberania nacional e ao incentivo ao refino de minérios no Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem demonstrado interesse no encaminhamento da pauta no Senado, após reaproximação com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (Republicanos-AP). A proposta visa garantir que o Brasil não se torne mero exportador de commodities, mas sim um player relevante na cadeia de valor das terras raras.



