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19 maio 2026

Tether faz aporte na LemFi para acelerar remessas com USDT

Tether aportou capital na LemFi para usar o USDT como camada de liquidação em rotas de remessas, visando velocidade, custos menores e maior transparência

Tether faz aporte na LemFi para acelerar remessas com USDT

O mercado de remessas internacionais recebeu um novo capítulo com o anúncio de investimento da Tether na fintech LemFi. A operação visa integrar o USDT como uma camada de liquidação nas rotas utilizadas pela plataforma, focando em fluxos que partem da Europa e da América do Norte com destino à África e à Ásia. Essa abordagem propõe reduzir a dependência de sistemas tradicionais de corresponsalia, como o SWIFT, e oferecer aos remetentes e destinatários transações mais rápidas e com custos operacionais inferiores.

Além do aporte financeiro, o acordo prevê apoio para o desenvolvimento da infraestrutura técnica da LemFi, ampliando estabilidade e liquidez nas operações diárias. A proposta combina a escala de clientes da emissora da stablecoin com a atuação da LemFi em mercados de remessa, criando uma ponte entre a tecnologia de blockchain e produtos financeiros direcionados a migrantes e trabalhadores que enviam recursos ao exterior. O objetivo declarado é facilitar transferências com menos burocracia, prazos menores e maior previsibilidade.

O acordo e a tecnologia por trás da integração

A parceria prevê a implementação do USDT como meio de liquidação entre pares da rede da LemFi, usando rails de blockchain para movimentar fundos entre países. Na prática, isso transforma a stablecoin em um instrumento que reduz tempo de espera e intermediários bancários. A Tether contribui com recursos para fortalecer a infraestrutura técnica, enquanto a LemFi adapta seus fluxos de pagamentos para permitir conversões mais rápidas entre moeda local e USDT. Segundo os executivos, a meta é dar aos usuários final uma experiência com mais transparência e previsibilidade.

Integração técnica e operacional

Do ponto de vista operacional, a integração envolve APIs, pools de liquidez e parcerias locais para on/off ramps que conectem o USDT à moeda fiduciária dos países receptores. A solução combina elementos de liquidação em cadeia com sistemas tradicionais de pagamento para garantir disponibilidade e confiabilidade. Esse arranjo tende a reduzir etapas repetidas de correspondência bancária, diminuindo custos e eliminando atrasos que hoje podem levar vários dias em transferências internacionais.

Impacto sobre trabalhadores e economias emergentes

O foco central da iniciativa é facilitar remessas enviadas por moradores da Europa e da América do Norte a familiares na África e na Ásia. Para milhões de trabalhadores que dependem desses fluxos, a adoção de uma solução baseada em stablecoin pode significar menos taxas e liquidações quase imediatas. Os líderes das empresas destacaram que a tecnologia torna os envios mais acessíveis e menos sujeitos a etapas burocráticas impostas por bancos tradicionais, aproximando serviços financeiros da realidade cotidiana desses usuários.

Benefícios práticos e adoção

Na prática, famílias receptoras podem receber fundos convertidos para moeda local com menor custo e em prazos mais curtos, enquanto remetentes ganham previsibilidade no custo total da operação. A integração do USDT também oferece maior transparência nas taxas e no fluxo de fundos, características que os executivos classificam como essenciais para ampliar a inclusão financeira. Ridwan Olalere, cofundador da LemFi, apontou que o aporte valida o rumo da empresa e ajuda a consolidar um sistema de pagamento mais justo para quem vive além-fronteiras.

Riscos, desafios regulatórios e próximos passos

Embora a proposta apresente vantagens operacionais claras, desafios permanecem. É necessário desenvolver rampas de conversão locais confiáveis, atender exigências regulatórias em múltiplas jurisdições e garantir confiança dos usuários na contraparte emissora da stablecoin. A Tether e a LemFi não divulgaram o valor exato do investimento, o que deixa em aberto detalhes sobre a escala imediata do projeto. Ainda assim, o movimento sinaliza uma tendência maior de integrar criptoativos com serviços financeiros tradicionais em mercados emergentes.

Em resumo, a aliança entre Tether e LemFi busca transformar a maneira como remessas transfronteiriças são liquidadas, usando stablecoins para reduzir fricções históricas do sistema financeiro clássico. Se as partes superarem os desafios técnicos e regulatórios, milhões de usuários poderão se beneficiar de pagamentos mais baratos, rápidos e transparentes, alterando a dinâmica de envio e recebimento de recursos ao redor do mundo.

Autor

Francesca Lombardi

Francesca Lombardi, florentina, anotou dados técnicos desde o primeiro box de um circuito toscano e desde então assina reportagens de fundo sobre motores. Na redação defende uma abordagem metódica aos ensaios em pista, coordena o formato 'técnica e crónica' e guarda as folhas de notas do seu estreia técnica em autódromo.