A discussão sobre o caminho do Bitcoin ganhou novos capítulos nas últimas semanas, mas um veterano do mercado segue cauteloso. Peter Brandt, trader com mais de 51 anos de experiência, publicou nas redes sociais que, apesar da recuperação recente da criptomoeda, a formação de um fundo definitivo ainda não está comprovada. Em seu comentário, Brandt repetiu a palavra “não” três vezes para enfatizar a possibilidade de queda, sinalizando que a alta observada pode não representar estabilidade duradoura.
O alerta de Brandt surge em meio a volatilidade provocada por fatores macroeconômicos. O Bitcoin chegou a perder o patamar de US$ 80.000 após a divulgação dos dados de inflação dos EUA e com renovadas expectativas de alta na taxa de juros pelo Fed. Além disso, indicadores técnicos citados pelo trader, como um canal descendente ligado à mínima de fevereiro e a referência a um fechamento pelo ATR, reforçam sua leitura de risco.
O ponto de vista técnico de Brandt
Na análise publicada, Brandt descreve um possível canal de baixa começando na mínima de fevereiro, com o preço testando e sendo repelido pela linha superior do canal. Ele chamou atenção para um nível específico: um fechamento pelo ATR (Average True Range) abaixo de 79.145 indicaria um recuo até o ponto médio do canal e, potencialmente, até a linha inferior. O uso do ATR aqui serve como parâmetro de volatilidade para confirmar direções de movimento; em outras palavras, trata-se de um critério para validar se a pressão de venda é consistente o suficiente para empurrar o preço para níveis mais baixos.
Visão contrária: otimistas e gatilhos para compra
Do outro lado do debate está Arthur Hayes, fundador da BitMEX, que declarou acreditar que o Bitcoin já teria formado o fundo anual e poderia mirar novamente o topo histórico em US$ 126.000. Hayes e outros otimistas defendem que um rompimento acima de US$ 90.000 seria o gatilho para atrair compradores que hoje estão à margem. Nesse cenário, traders conservadores e até críticos técnicos poderiam rever suas posições e transformar-se em força compradora, acelerando um rali prolongado.
Fatores macro que ampliam a incerteza
Inflação e política monetária
O mercado mantém foco intenso nos dados de inflação dos Estados Unidos e nas expectativas sobre decisões do Fed. Nesta quarta-feira (13), os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos alcançaram 4,5%, marcando pressão sobre ativos de risco. Esse aumento nos rendimentos tende a elevar o custo de oportunidade de manter posições em criptoativos, pois capital pode se deslocar para instrumentos de renda fixa quando as taxas estão mais atraentes.
Preço do petróleo e impacto na cadeia de custos
Outro elemento que pesa na inflação e, por consequência, no apetite por risco é o preço do petróleo. O WTI estava cotado a cerca de US$ 67 no fim de fevereiro e passou a ser negociado por aproximadamente US$ 102 no período mais recente. Elevações no combustível tendem a repercutir na logística e no preço de bens, pressionando a inflação geral. Para o mercado de Bitcoin, esse efeito é indireto, mas real: custos mais altos e juros possivelmente maiores reduzem o fluxo de liquidez disponível para ativos voláteis.
Conclusão e perfil do autor
Em linhas gerais, a posição de Peter Brandt resume uma abordagem técnica conservadora: sem um fundo claro, o risco de retração permanece relevante. Ao mesmo tempo, vozes como a de Arthur Hayes lembram que a dinâmica do mercado pode se inverter rapidamente se níveis-chave forem rompidos. Investidores e leitores devem acompanhar tanto os sinais técnicos, como o comportamento em torno de 79.145 e US$ 90.000, quanto os desenvolvimentos macroeconômicos que influenciam liquidez e apetite por risco.
Henrique HK é desenvolvedor web com mais de duas décadas de experiência e se aproximou do Bitcoin em 2016. Tradutor de dezenas de documentos sobre criptomoedas e ex-operador de uma pequena fazenda de mineração, ele acompanha tendências do setor para oferecer análises informadas aos leitores.
