O Crédito do Trabalhador modalidade de consignado privado implementada recentemente, tem mostrado um padrão preocupante de acumulo de dívidas. Um estudo da Serasa Experian revela que 74% dos consumidores que aderiram a essa modalidade possuem dois ou mais empréstimos ativos.
Essa tendência de múltiplos contratos, muitas vezes com instituições financeiras distintas, levanta questões sobre a saúde financeira dos trabalhadores brasileiros e a necessidade de maior transparência e educação financeira.
O perfil dos usuários do Crédito do Trabalhador
O levantamento da Serasa Experian indica que 54,6% dos trabalhadores com múltiplos contratos realizaram operações com bancos diferentes. Além disso, 29% dos trabalhadores que contrataram um segundo empréstimo assumiram taxas superiores às praticadas na primeira operação.
Esses dados sugerem que parte dos consumidores está contratando crédito com condições menos vantajosas ao longo do tempo. Délber Lage CEO da SalaryFits empresa da Serasa Experian, comenta que esse é um comportamento que indica uma concentração do novo consignado em operações de baixo ticket e curto prazo.
Operações de menor valor e taxas mais altas
O novo consignado privado avançou principalmente em operações de menor valor. Do total de contratos realizados no primeiro ano do programa, 44% envolveram concessões de até R$ 1,5 mil. Nessa faixa, a taxa média mensal observada foi 7% superior à registrada em operações anteriores de maior valor e prazo mais longo.
Por outro lado, contratos acima de R$ 20 mil representaram apenas 1,9% das operações, mas possuem taxas médias menores e prazos mais extensos. Esse cenário reflete a busca por soluções de curto prazo para necessidades imediatas, muitas vezes com custos mais elevados.
Transparência e educação financeira
Délber Lage destaca que o avanço da modalidade ampliou o acesso ao crédito, mas também aumentou a frequência de contratação e a diversificação de instituições financeiras utilizadas pelos trabalhadores. Em um ambiente mais competitivo e pulverizado, cresce a importância de transparência nas ofertas e da comparação entre condições antes da tomada de crédito.
Entre os consumidores que aderiram ao novo consignado privado, 68% tiveram entre duas e cinco consultas ao CPF nos últimos seis meses, e 69% possuem algum tipo de restrição financeira ativa. Esses números reforçam a necessidade de medidas que promovam uma gestão financeira mais saudável.
Para o estudo, a Serasa Experian analisou 191.798 contratos de empréstimo consignado privado vinculados a 88 empresas, considerando operações realizadas até abril de 2026, envolvendo 61 instituições financeiras.


