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25 junho 2026

Por que investidores aceitam mais risco em vez de adotar uma postura defensiva

Francisco Rosemberg, da BlackRock, diz que o custo de ser muito conservador explica por que investidores continuam assumindo risco apesar da geopolítica

Por que investidores aceitam mais risco em vez de adotar uma postura defensiva

Em entrevista ao Brazil Journal, Francisco Rosemberg, responsável por wealth e family office para a América Latina na BlackRock, explicou por que muitos participantes do mercado mantêm posições mais arriscadas mesmo com as incertezas globais. Segundo Rosemberg, a alternativa de adotar uma postura extremamente defensiva tem um custo de oportunidade relevante: deixar o capital ocioso ou em aplicações de baixo rendimento pode corroer ganhos reais ao longo do tempo. Essa avaliação combina preocupações com rentabilidade e o impacto de taxas e inflação, levando investidores a reavaliar o trade-off entre proteção e performance.

O executivo ressaltou também que a instabilidade frequentemente cria janelas para realocação estratégica. Em vez de buscar proteção absoluta, gestores e family offices analisam mercados e setores que oferecem prêmio de risco compatível com seus objetivos. Para Rosemberg, a decisão é menos sobre ousadia e mais sobre gestão dinâmica do capital: identificar onde o risco está precificado de forma atrativa e como ajustar exposição sem comprometer horizontes de longo prazo. A observação foi publicada em 06/05/2026 19:49 no Brazil Journal, citando o posicionamento do executivo.

Por que a defesa excessiva pode custar caro

Manter uma postura excessivamente conservadora acarreta custos que vão além de uma menor rentabilidade imediata. O custo de oportunidade aparece quando a alocação concentra-se em ativos com retorno real negativo ou marginalmente positivo, especialmente em cenários de inflação ou juros reais baixos. Além disso, a proteção absoluta costuma envolver despesas com produtos financeiros ou blindagens que reduzem o ganho líquido. Nesse contexto, investidores institucionais e investidores privados avaliam que assumir exposições calibradas é uma forma de preservar poder de compra e capturar oportunidades de valorização, mesmo diante de ruídos geopolíticos.

Como a volatilidade gera oportunidades

A volatilidade, quando compreendida, pode abrir portas para alocação de ativos mais eficiente. Eventos geopolíticos e choques de mercado aumentam a dispersão de preços, permitindo que gestores identifiquem ativos subavaliados ou setores com perspectivas de recuperação. A estratégia envolve rebalanceamento, compra seletiva e diversificação entre classes e regiões, tudo apoiado por modelos de risco e análises fundamentais. Aqui, o conceito de apetite por risco é determinante: quem tem horizonte e liquidez tende a converter volatilidade em oportunidade, sem confundir risco temporário com deterioração estrutural do ativo.

Estratégias adotadas por family offices e gestores

Family offices e gestores de patrimônio, como os representados por Rosemberg, costumam combinar proteção com busca ativa por retorno. Entre as táticas mais comuns estão a diversificação geográfica, exposição a mercados emergentes selecionados, uso de ativos alternativos e gestão ativa de duração em carteiras de renda fixa. Essas decisões são tomadas com base em cenários macro e micro, priorizando liquidez e controle de risco. O uso de instrumentos derivados para hedge também aparece, mas como ferramenta pontual dentro de uma abordagem maior de preservação de capital e crescimento.

Implicações para investidores individuais

Para investidores pessoa física, a mensagem central é avaliar objetivos e prazos antes de optar por extrema defesa. Um portfólio excessivamente conservador pode não cumprir metas de longo prazo, especialmente frente a inflação e custos. Recomenda-se trabalhar com alocações diversificadas, ajustar exposição conforme tolerância ao risco e considerar consultoria profissional. Ferramentas de planejamento e stress test ajudam a entender cenários adversos e a escolher entre reduzir risco ou aceitar alguma volatilidade para potencialmente melhorar retornos ajustados ao risco. O conceito de gestão de risco deve nortear essas decisões.

Observações finais

O diagnóstico de Francisco Rosemberg sintetiza um dilema atual: evitar perdas imediatas pode custar oportunidades futuras. A posição, divulgada em 06/05/2026 19:49 no Brazil Journal, enfatiza que a resposta não é assumir risco indiscriminadamente, mas sim adotar uma postura ativa e técnica de alocação. Investidores e gestores que conciliam disciplina, diversificação e análise de valor tendem a transformar períodos de incerteza em janelas para melhorar a composição de suas carteiras, equilibrando proteção e potencial de retorno com fundamentos sólidos.

Autor

Edoardo Vitali

Edoardo Vitali coordenou a cobertura da reestruturação do mercado de peixe de Palermo, defendendo a linha editorial sobre transparência fiscal. Chefe de redação da economia, traz para a redação uma abordagem pragmática e um detalhe pessoal: ainda guarda cadernos das reuniões na Sala delle Lapidi.