Luiz Inácio Lula da Silva visitou em 21 de agosto de 2026 as obras de duplicação da BR-116 e da Ponte do São Raimundo em Governador Valadares no Vale do Rio Doce. A visita ocorreu no trecho que liga Rio de Janeiro a Governador Valadares e foi acompanhada por autoridades federais e estaduais. Ultimo aggiornamento: 28 agosto 2026
A presença do presidente destacou um pacote de investimentos de R$ 309 milhões, que inclui a construção de uma nova ponte sobre o Rio Doce e a duplicação de aproximadamente nove quilômetros da rodovia. As intervenções visam ampliar a capacidade e a segurança viária no corredor entre Rio de Janeiro e Governador Valadares, afetando o fluxo de cargas e passageiros na região. O discurso oficial ressaltou a escala do aporte e a articulação entre recursos públicos e concessões privadas.
Detalhes das obras e cronograma
A nova ponte terá 477 metros de extensão, duas faixas de rolamento, acostamento e passagem para pedestres, conforme o projeto apresentado durante a visita. A duplicação da BR-116 abrange cerca de nove quilômetros e, segundo os responsáveis pela obra, está com cerca de 70% da execução concluída, com expectativa de término até o fim do ano de 2026. As intervenções emergem como resposta a demandas históricas de mobilidade urbana em Governador Valadares e à necessidade de reduzir gargalos logísticos no Vale do Rio Doce.
Investimentos, manutenção e padrão por quilômetro
O ministro dos TransportesGeorge Santoro acompanhou a visita e afirmou que os recursos aplicados colocam o atual ciclo de investimentos em um patamar sem precedentes em Minas Gerais. Foi informado que o investimento médio por quilômetro, que antes era de aproximadamente R$ 48 mil, subiu para mais de R$ 250 mil por quilômetro, segundo o balanço apresentado pelos técnicos. Além disso, foram citados números de recuperação de malha rodoviária: mais de 3 mil quilômetros recuperados, nove leilões de concessões realizados e cerca de 2 mil quilômetros duplicados desde o início do ciclo de obras.
Contexto regional e indicadores de qualidade da malha
O presidente Lula relacionou os indicadores atuais com períodos anteriores, afirmando que Minas Gerais iniciou o atual governo com 42% da malha rodoviária em boas condições e que esse índice subiu para 73% atualmente, enquanto a parcela classificada como em situação péssima caiu para 8%. Lula comparou os números com o cenário de 2016, durante o governo de Dilma Rousseff quando informou que 71% da malha estava em boas condições, e atribuiu a deterioração subsequente à falta de investimentos em anos posteriores. A narrativa oficial associa a recuperação à retomada de investimentos públicos e a concessões com aportes privados.
Política de paradas e proposta para caminhoneiros
Durante a visita, Lula defendeu melhorias nas condições de trabalho dos caminhoneiros e citou a política de pontos de parada e descanso, que prevê estruturas com água, chuveiros, alimentação e espaço adequado para repouso. O presidente afirmou que os caminhoneiros são profissionais essenciais para o transporte de mercadorias no país e afirmou a necessidade de infraestrutura adequada ao longo das rodovias. A duplicação da Ponte do São Raimundo foi apresentada como atendimento a uma reivindicação antiga da população de Governador Valadares.
O governo relatou também que, a partir de 2026, foram destinados R$ 20 bilhões inicialmente e, posteriormente, cerca de R$ 15 bilhões por ano para ações relacionadas à infraestrutura de transportes em Minas Gerais, valores que se somam aos investimentos privados previstos nas concessões rodoviárias. Entre esses projetos está a modernização da concessão da BR-381, com previsão de R$ 14,8 bilhões em aportes privados, conforme os planos apresentados durante a agenda em Governador Valadares.
Repercussão política e propostas concorrentes
No contexto estadual, o candidato ao governo de Minas pelo MDB, Gabriel Azevedo, apresentou propostas que dialogam com o tema logístico abordado pela visita presidencial, defendendo a expansão da malha ferroviária e a descentralização da administração estadual. Azevedo propôs a criação de um Fundo Ferroviário Estadual financiado por recursos da mineração e afirmou: “Quero montar uma poupança que vem da mineração justamente para transformar a forma como transportamos as coisas em Minas Gerais em algo mais inteligente”.
Entre os projetos citados por Azevedo estão a “Ferrovia do Café” e conexões entre Varginha, Três Corações e Lavras, além de ligações até o Rio de Janeiro e Cruzeiro (São Paulo), com o objetivo de otimizar o retorno de cargas. Ele também declarou: “O grande diferencial logístico é fazer o trem levar o café e retornar carregado de produtos importados dos portos” e acrescentou: “Tem que ter conexão dupla entre Uberlândia e BH”. Azevedo criticou a gestão fiscal atual e afirmou medidas de auditoria e controle: “Minha primeira medida de governo será publicar a lista desses beneficiários para auditar se essas isenções fiscais geram algum retorno real para a população” e “Vamos auditar se cada centavo investido traz retorno real ao cidadão; o que for ineficiente e não funcionar será cortado”. Sobre concessões rodoviárias, ele disse: “O cidadão só deve pagar se houver manutenção de qualidade. Se a concessionária não cumprir o contrato de melhoria contínua das rodovias, será cancelada a concessão”.
Os anúncios e ocorridos em Governador Valadares integram uma agenda mais ampla de investimentos em Minas Gerais voltada à redução de gargalos logísticos, à melhoria das condições de circulação e à integração entre rodovias e ferrovias no estado.



