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1 novembro 2026

Bancos elevam taxa mínima de crédito habitacional após alta da curva de juros

Grandes bancos elevam a taxa mínima de crédito habitacional depois que a curva de juros futuros disparou após a eleição de Lula.

Bancos elevam taxa mínima de crédito habitacional após alta da curva de juros

Nos últimos dias, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander divulgaram reajustes nas taxas de financiamento imobiliário. As novas tarifas passam de 11,99% a 12,95% ao ano (Itaú), de 11,7% a 15% ao ano (Bradesco) e de 11,69% a 12,49% ao ano (Santander), todas acrescidas da Taxa Referencial (TR). O movimento ocorre logo após a forte valorização da curva de juros futuros no mercado, que tem sido impulsionada pelas expectativas pós-eleição presidencial.

Os reajustes representam, para os bancos, uma forma de alinhar o custo dos recursos captados no mercado com o preço oferecido ao consumidor. Como os financiamentos podem durar décadas, qualquer alteração nas condições de captação – sobretudo em instrumentos de curto prazo como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) – afeta diretamente o spread cobrado nos empréstimos de longo prazo.

Reajustes realizados pelos principais bancos

Itaú Unibanco

O banco anunciou que a taxa mínima de juros para crédito habitacional subiu para 12,95% ao ano + TR, partindo de 11,99% + TR. Para clientes não correntistas, a taxa pode chegar a 14,85% ao ano, enquanto o segmento comercial atinge 15,8%. Em comunicado, o Itaú explicou que o ajuste reflete as condições atuais de captação no mercado e visa preservar a sustentabilidade da operação.

Bradesco

O Bradesco fez um salto mais abrupto, elevando a taxa da principal linha residencial de 11,7% para 15% ao ano + TR. Clientes do segmento private têm a taxa fixada em TR + 13,6%, e o crédito para imóveis comerciais chegou a TR + 16,5%. O banco atribuiu o aumento ao “aumento verificado nas taxas de juros do mercado” e ressaltou a necessidade de manter a rentabilidade.

Santander

Já o Santander informou que, a partir de 30 de outubro, as operações passarão a ter taxa mínima de 12,49% ao ano + TR, acima dos 11,69% + TR vigentes até 28 de outubro. O banco afirmou que acompanha “regularmente os indicadores econômicos e as condições do mercado imobiliário” ao definir seus produtos de crédito.

Motivos macroeconômicos por trás dos reajustes

O ponto de partida foi a disparada da curva de juros futuros na semana que se seguiu à reeleição do presidente Lula da Silva. O contrato DI com vencimento em janeiro de 2037 subiu de 12,65% para 15,30% ao ano entre 23 e 26 de outubro, operando em torno de 15,19% ao final da quinta-feira. Esse índice serve como referência para a captação de recursos dos bancos, e seu aumento eleva o custo dos instrumentos de curto prazo que alimentam os financiamentos de longo prazo.

Além do DI, cerca de 29% do financiamento habitacional brasileiro provém de LCIs e CRIs, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Como esses papéis costumam ter prazos menores que o financiamento (geralmente 10 a 30 anos), a alta nas taxas de juros futuro pressiona os spreads bancários, obrigando as instituições a repassar parte desse encargo ao tomador.

Impactos para o consumidor e panorama futuro

Para quem está buscando comprar ou construir, os novos patamares de juros significam prestações mais altas e menor poder de compra. A alta súbita do Bradesco – 3,3 ponto percentual – foi considerada atípica por analistas, sugerindo uma estratégia para tornar o financiamento menos atrativo e conter a demanda. Já o ajuste do Itaú se alinhou ao que especialistas consideram “normal”, dado o cenário de juros futuros em ascensão.

Um dos grandes incógnitas ainda é a postura da Caixa Econômica Federal, responsável por quase 70% do crédito habitacional no país, com carteira superior a R$ 1 trilhão. Como a Caixa segue diretrizes do governo federal, sua reação ao movimento dos grandes bancos pode definir o ritmo geral do mercado. Até o momento, a instituição não se pronunciou oficialmente.

Outras instituições, como Sicredi, disseram não prever alterações nos spreads no curto prazo, enquanto o Banco do Brasil manteve silêncio devido ao período de divulgação de resultados. O cenário indica que, enquanto a curva de juros permanecer alta, os bancos tendem a manter ou até ampliar os reajustes, pressionando consumidores e empresas que dependem de crédito de longo prazo.