O início de um novo governo em 2027 traz consigo a oportunidade de repensar as políticas de investimento em infraestrutura no Brasil. Gesner Oliveira, professor da FGV e sócio da GO Associados, destaca a necessidade de segurança regulatória e jurídica para atrair investimentos privados para setores como saneamento básico, energia e transportes.
Atualmente, os investimentos em infraestrutura representam cerca de 2% do PIB, um valor que precisa subir para 4% para suprir o déficit no setor. Oliveira enfatiza que a estabilidade de regras e previsibilidade são fundamentais para aumentar os investimentos, além de uma política de Estado que não fique sujeita às mudanças de governo.
Os três pilares para o crescimento da infraestrutura
Para destravar os investimentos em infraestrutura, Gesner Oliveira aponta três aspectos essenciais: regulaçãoplanejamento e financiamento. A regulação precisa ser independente do poder econômico e político, com excelência técnica e transparência. O planejamento deve ser de longo prazo, garantindo continuidade independentemente do governo em exercício.
Quanto ao financiamento, é necessário diversificar as fontes, incluindo orçamento, mercado de capitais e fontes externas e internas. Esses três pilares são cruciais para dobrar a participação da infraestrutura no PIB, elevando-a de 2% para 4%.
Desafios no setor de saneamento
O Brasil tem uma meta de universalização do saneamento até 2033, mas o ritmo atual de investimentos pode não ser suficiente. Apesar do sucesso do Marco do Saneamento, que aumentou os investimentos em mais de 50% entre 2026 e 2026, ainda há um longo caminho a percorrer. Oliveira destaca que o volume de investimento por habitante precisa crescer mais 61% para atingir o nível necessário.
Dois desafios recentes incluem a reforma tributária, que trouxe uma distorção com a taxação excessiva sobre o saneamento, e a lei da tarifa social, que exigiu ajustes nos contratos firmados. Apesar desses obstáculos, a qualidade dos projetos de infraestrutura no Brasil tem melhorado significativamente nos últimos dez anos.
Adaptação às mudanças climáticas
Um aspecto fundamental que um novo governo deve considerar é a mudança climática. A infraestrutura precisa se adaptar a esse novo cenário, incorporando adaptações necessárias. Por exemplo, no saneamento, o uso de água de reuso e reciclada é essencial para enfrentar as secas, assim como a drenagem é fundamental contra enchentes e inundações.
Além disso, a infraestrutura é crucial para o enfrentamento das mudanças climáticas como um todo. Projetos que incorporam tecnologias sustentáveis e resilientes são essenciais para garantir um futuro mais seguro e próspero para o Brasil.
Investir em infraestrutura não é apenas uma questão de desenvolvimento econômico, mas também de sustentabilidade e resiliência. Com as estratégias certas, o Brasil pode atrair capital privado e garantir um futuro mais promissor para todos.



