Durante a edição da conferência Energyear, realizada em Buenos Aires, o CEO da Genneia Bernardo Andrews, revelou que a empresa – líder em geração de energia renovável na Argentina – tem capacidade para elevar seu investimento anual de cerca de US$300 milhões para o dobro desse valor, caso consiga ampliar o acesso a fontes de capital. Essa ambição surge num momento em que a companhia consolida uma carteira de 2,1 GW de capacidade instalada, distribuída entre parques eólicos, solares e térmicos.
O discurso de Andrews enfatizou que o ritmo de expansão está diretamente atrelado à saúde financeira da Genneia, que tem o compromisso de gerar retorno para acionistas há mais de quinze anos e de manter 450 colaboradores. Segundo ele, a disponibilidade de dívida ou equity poderia desencadear um crescimento “dramático” dos gastos de capex, possibilitando novos projetos e a consolidação de ativos estratégicos.
Expansão da geração e do armazenamento de energia
A empresa já opera 946 MW em parques eólicos, 839 MW em usinas solares fotovoltaicas e 363 MW em unidades térmicas. Entre os empreendimentos em fase de desenvolvimento, destacam-se o parque eólico Los Sabios I – etapa II (118 MW) e o solar Mendoza Sur programado para entrar em operação em 2029 com 350 MW. O projeto solar Sol del Valle em Catamarca, teve sua capacidade ampliada de 120 MW para 300 MW e já solicitou acesso ao mercado mayorista.
No segmento de baterias de armazenamento de energia (BESS) a Genneia administra oito sistemas que somam 461 MW e US$335 milhões de investimento, resultantes das subastas AlmaGBA e AlmaSADI. Entre eles, o Mar de Ajó (40 MW/200 MWh) e o Chascomús (45 MW/225 MWh) estão em fase de consulta pública na província de Buenos Aires, com um desembolso conjunto previsto em torno de US$60 milhões.
Transmissão, mineração e planos de listagem
Além da geração, a Genneia entrou no mercado de transmissão através de uma participação indireta de 13,2 % na Transener e está avaliando a adesão ao projeto de reforço de rede AMBA I licitado pelo governo nacional com investimento de US$800 milhões. A empresa também acompanha oportunidades de fornecimento de energia para o projeto mineiro Vicuña que envolve cobre, ouro e prata e conta com um investimento total de US$9,7 bilhões, reforçando a estratégia de se posicionar como provedora de soluções energéticas para a mineração.
Em paralelo, a Genneia considera abrir seu capital na bolsa de Nova Iorque, medida que pode ampliar ainda mais o acesso a recursos internacionais e facilitar a execução de sua agenda de expansão.
Mineração argentina atrai recorde de investimento estrangeiro
Os números da investimento estrangeiro direto (IED) no setor de mineração revelam um salto impressionante: em março de 2026, o estoque acumulado chegou a US$24,849 bilhões, dobrando o valor registrado em março de 2024 (US$12,402 bilhões) e quase triplicando o de setembro de 2019. Esses resultados, divulgados pelo Banco Central, refletem a combinação de preços internacionais elevados e a maturação de projetos estratégicos.
O fluxo trimestral de capital também quebrou recordes. No primeiro trimestre de 2026, foram registrados US$2,799 bilhões líquidos de IED – 36 % acima do recorde anterior, de 2024. O segmento de exploração de minas e pedreiras concentra a maior parte do estoque, que superou US$13 bilhões, evoluindo de pouco mais de US$1 bilhão em 2017.
O aumento de capital acompanha um recorde nas exportações, que somaram US$4,742 bilhões no mesmo período. O ouro respondeu por 61 % do total, enquanto o lítio passou a representar cerca de 25 % das exportações, registrando crescimento de 68 % em volume físico em relação ao ano anterior. Essa tendência confirma o foco em metais críticos, como lítio e cobre, para sustentar a produção futura.
Em síntese, a convergência entre a ambição da Genneia em ampliar seu portfólio de energia limpa e o influxo histórico de capitais estrangeiros na mineração cria um cenário favorável ao desenvolvimento de infraestrutura energética robusta e à exploração de recursos estratégicos na Argentina.



