O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa destacou a importância de investimentos estratégicos para fortalecer a economia do Sul Global durante o Fórum Empresarial do BRICS em Nova Déli. Em seu discurso, Ramaphosa enfatizou que os desafios enfrentados pelas economias do bloco também representam oportunidades para criar um futuro mais resiliente e inclusivo.
O evento, que antecede a cúpula do BRICS entre os dias 12 e 13 de setembro, reuniu representantes empresariais dos países membros para discutir estratégias de cooperação econômica. O Conselho Empresarial do BRICS aprovou seu relatório anual, que será submetido aos líderes do grupo durante a cúpula.
Investimentos estratégicos para o desenvolvimento do Sul Global
Ramaphosa afirmou que as economias em desenvolvimento têm participado das cadeias globais de valor principalmente como fornecedoras de matérias-primas. Ele destacou a necessidade de mudar esse padrão, direcionando investimentos para manufaturatecnologia industrialsistemas de energiainfraestrutura e logística.
“Não podemos aceitar um futuro em que a África forneça os minerais dos quais dependem as indústrias da próxima geração, enquanto o valor agregado e a manufatura ocorram em outros lugares“, afirmou Ramaphosa. Ele enfatizou que as empresas devem investir não apenas para ter acesso aos mercados, mas também para estabelecer unidades de produção e desenvolver capacidades locais.
Cooperação prática entre empresas do BRICS
O presidente do Conselho Empresarial do BRICS na Índia, Jai Shroff ressaltou os avanços em áreas como comércio, investimentos, fortalecimento das cadeias de suprimentos, aplicação de tecnologias, infraestrutura, agricultura, energia, finanças, aviação e indústria. Shroff destacou a importância de unir as vantagens dos países membros, como grandes mercados, recursos naturais, capacidades industriais e instituições financeiras.
“Temos muito a oferecer uns aos outros. Contamos com grandes mercados, recursos naturais, capacidades industriais desenvolvidas, empresas de tecnologia, instituições financeiras e centros de pesquisa“, afirmou Shroff. Ele destacou a necessidade de identificar áreas de interesse empresarial real e desenvolver projetos concretos.
Prioridades para o futuro do BRICS
O presidente da seção chinesa do Conselho Empresarial do BRICS, Liao Lin destacou quatro prioridades para o futuro do bloco: implementação dos resultados da presidência indiana, fortalecimento da cooperação comercial e econômica, desenvolvimento de novos motores de crescimento econômico por meio da inovação e inteligência artificial, e fortalecimento das cadeias produtivas.
“É necessário consolidar politicamente o consenso alcançado pelos líderes dos países do BRICS e alinhar as ações com a futura publicação da Estratégia de Parceria Econômica do BRICS até 2030“, afirmou Liao. Ele também destacou a importância de ampliar o ecossistema de cooperação do Grande BRICS e compartilhar as oportunidades de desenvolvimento com os países do Sul Global.
Oportunidades de investimento na Etiópia
O presidente da seção etíope do Conselho Empresarial do BRICS, Taye Leta Elema destacou o potencial demográfico e econômico da Etiópia, com mais de 130 milhões de habitantes e uma força de trabalho ativa superior a 60 milhões de pessoas. Ele convidou os países do BRICS a ampliar a cooperação em setores como indústria, energia, agricultura e produção de veículos elétricos.
“A economia do país apresenta crescimento estável de 7,1%, com previsão de aceleração para 8,0%–10,2% em 2026–2027“, afirmou Elema. Ele destacou oportunidades de cooperação com empresas brasileiras no desenvolvimento de complexos de produção de laticínios e projetos de etanol sustentável, além de possibilidades nos setores de mineração e energia para a Rússia.
O representante também mencionou potencial em áreas como indústria têxtil, logística marítima e comércio por corredores do Mediterrâneo e do Mar Vermelho com o Egito, e investimentos em energia limpa e hotelaria com os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita. A Etiópia foi o primeiro país do mundo a proibir completamente a importação de veículos de passageiros com motores de combustão interna, registrando mais de 110 mil veículos elétricos, que representam mais de 60% dos novos registros.
Brasil busca financiamento para projetos de infraestrutura
O governo brasileiro apresentou ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) conhecido como banco do BRICS, uma carteira de empreendimentos nos setores de portos, hidrovias e aeroportos. O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca afirmou que a proposta foi apresentada à presidente do banco, Dilma Rousseff durante uma reunião em Xangai.
“O objetivo foi exatamente apresentar nossa carteira de projetos, tanto nos setores de portos, hidrovias e também aeroportos, com um foco muito grande nos próximos leilões de portos e as concessões dos canais que estamos construindo“, afirmou Franca. A carteira inclui concessões portuárias, canais de acesso, hidrovias e projetos aeroportuários, com previsão de investimentos significativos nos próximos anos.
O ministro destacou que o setor portuário brasileiro atraiu mais de R$ 40 bilhões em investimentos nos últimos três anos, demonstrando o interesse do capital privado nos projetos estruturados pelo governo. A previsão é de novos procedimentos envolvendo portos e aeroportos até o fim do ano.



