No mundo dos investimentos, a escolha entre os modelos fee-based e comissionado de assessoria financeira tem gerado debates acalorados. Enquanto alguns investidores defendem a transparência do fee-based, outros argumentam que o modelo comissionado pode ser mais vantajoso em certas situações.
O fee-based, em que o investidor paga uma taxa anual que varia de 0,4% a 1% do patrimônio, está ganhando popularidade. A XP por exemplo, já tem 26% de sua custódia nesse modelo. Mas será que vale a pena?
Os Prós e Contras do Fee-Based
Defensores do fee-based argumentam que esse modelo oferece um acompanhamento mais alinhado ao longo do tempo. Pier Mattei cofundador da Monte Bravo explica que o planejamento financeiro tem mais sinergia com o fee-based. A Monte Bravo, que tem R$ 45 bilhões em custódia, tem 44% desse valor no modelo fee-based.
Por outro lado, a XP acredita que o modelo de cobrança não está atrelado ao modelo de atendimento. Guilherme Sant’Anna sócio e diretor de distribuição da XP, argumenta que a comissão pode remunerar bem o assessor se ele oferecer um bom atendimento e um planejamento financeiro bem feito.
O Modelo Comissionado e Seus Benefícios
O modelo comissionado, em que os assessores são remunerados por meio das comissões recebidas pelas produtos que vendem, pode ser mais vantajoso para investidores conservadores. Quem mantém uma carteira parada em Tesouro Direto ou fundos de renda fixa paga menos nesse modelo, já que os rebates são menos relevantes.
Por outro lado, investidores mais ativos, que fazem mudanças frequentes na carteira, podem ter custos maiores no modelo transacional, pois as comissões são cobradas a cada movimentação. Antes de escolher, é importante pedir para o assessor fazer essa conta e comparar os custos.
O Conflito de Interesses e a Qualidade do Serviço
O conflito de interesses é uma variável importante na escolha entre os modelos. Embora a recomendação não deva mudar dependendo da remuneração, ainda há casos de venda de produtos apenas por causa das comissões. Para tentar brecar essa prática, plataformas e grandes assessorias criaram carteiras padronizadas e avaliam os profissionais pela aderência às recomendações do perfil do cliente.
No entanto, o crescimento dos ETFs no Brasil, que pagam rebates baixíssimos aos assessores, está relacionado à maior adoção do fee-based. Filipe Medeiros fundador da Aаван explica que os ETFs são produtos bons, baratos e eficientes, mas não remuneram o profissional comissionado.
Para que o fee-based funcione, é preciso que o serviço realmente tenha qualidade. André Arantes diretor da EQI Investimentos alerta que a migração para o fee-based não pode ser feita de qualquer jeito. O assessor precisa estar preparado para garantir o fee e entregar um bom acompanhamento da carteira.



