O cenário político brasileiro está mais acirrado do que nunca, com os candidatos à presidência utilizando o horário eleitoral para trocar acusações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) têm sido os principais protagonistas desse embate, que ganhou novos contornos nesta semana.
Na manhã desta terça-feira, 1º, a campanha de Lula exibiu uma propaganda no rádio que criticava Flávio Bolsonaro pelo fim da escala 6×1. Essa ação representa uma nova frente de ataques do PT contra o adversário, após a suspensão, pela Justiça Eleitoral, de propagandas que vinculavam o currículo do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a casos de corrupção.
Críticas e respostas no horário eleitoral
A campanha do PL não demorou a responder. Além de ironizar o revés de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o programa de Flávio Bolsonaro utilizou uma fala do petista durante um ato de campanha em Belo Horizonte (MG), no sábado (29), para atacá-lo. Em um comício na capital mineira, Lula afirmou que a ocupação de gari era uma profissão muito pobre embora, depois, tenha reiterado a importância desse trabalho.
Quando eu passo na rua e vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho. Eu sou lixeiro. O cara tem orgulho de falar: ‘Eu sou engenheiro, eu sou médico’. Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pode estudar. Eu fico pensando, se aquelas pessoas que fazem a limpeza na rua soubessem a importância do trabalho delas disse o presidente no ato de campanha.
Programas sociais e soberania nacional
Para além da troca de farpas, a propaganda de Lula deu destaque para os programas sociais implementados durante as gestões do PT. A soberania nacional também foi um dos enfoques. Em uma sonora, a locutora do programa reforçou que o presente está sempre do lado do Brasil. Já Flávio Bolsonaro utilizou o endividamento das famílias para criticar a gestão federal.
O programa de Ronaldo Caiado (PSD) destacou as ações dele enquanto governador de Goiás enquanto Augusto Cury aproveitou o áudio da peça que vem exibindo na televisão. Na propaganda, o candidato do Avante fala em curar o Brasil polarizado.
Evento Mulheres com Lula e a PEC do fim da escala 6×1
No sábado (29), Lula participou do evento Mulheres com Lula em Belo Horizonte. Durante o discurso, ele falou sobre a importância de ter mulheres em cargos representativos: Democracia é o poder que emana do povo em nome do povo, e veja a contradição, vocês são a maioria. Se todas as mulheres votassem em mulheres, a gente teria no Congresso uma maioria de mulheres. Se vocês votarem em senadoras mulheres, a gente vai ter maioria de senadoras. Por que vocês têm que ser representadas por homens?
Segundo o TSE, o eleitorado feminino corresponde a 52,84% do total nacional. O ato em Belo Horizonte contou com a participação da primeira-dama, Janja Lula da Silva das candidatas ao Senado por Minas Gerais Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL), e do candidato ao governo do estado, Patrus Ananias (PT). A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), também estava presente.
Lula também aproveitou o ato de campanha para falar sobre o andamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1. A expectativa do governo é que o texto seja aprovado na semana que vem pelo Congresso. Nós vamos aprovar nesta semana o fim da escala 6×1 para que as mulheres e os homens tenham mais tempo de cuidar da própria vida, mais tempo de cuidar das crianças, mais tempo para passear e mais tempo para namorar também afirmou o presidente.
Suspensão de propaganda eleitoral
A ministra Estela Aranha do TSE, concedeu neste domingo (30) liminar para suspender a veiculação de uma peça de propaganda eleitoral da campanha de Lula que acusa Flávio Bolsonaro de ser denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo da rachadinha. O pedido foi feito pela campanha de Flávio, que terá agora direito de resposta.
No vídeo que vem sendo veiculado no horário eleitoral, uma narração elenca uma série de pontos que fariam parte do currículo de Flávio Bolsonaro, entre eles o caso das rachadinhas, prática que consiste na devolução para parlamentares de parte de salários de funcionários fantasmas.
A campanha do presidenciável do PL argumentou que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro arquivou a denúncia a respeito do caso e, portanto, usar o termo denunciado seria enganoso. Na decisão, a magistrada concordou com a avaliação e avaliou que a propaganda passa uma falsa informação ao eleitor.
Importante pontuar que a propaganda parte de um fato verdadeiro, consistente na efetiva oferta de denúncia em desfavor do candidato. Não obstante, como noticiado pela própria parte representante, a denúncia foi arquivada, sem qualquer juízo condenatório proferido. A propaganda, portanto, passa ao eleitor a falsa informação no sentido de que o candidato estaria presentemente denunciado por crimes gravíssimos, situação que não corresponde com a realidade e que caracteriza grave descontextualização diz a decisão.
Estela Aranha pontuou ainda que a decisão não trata do mérito dos fatos. Ressalte-se que a presente análise não importa juízo definitivo acerca da veracidade histórica de cada episódio mencionado pela propaganda. O que se examina, nesta fase processual, é a probabilidade de que a forma escolhida para apresentar tais acontecimentos tenha ultrapassado os limites da crítica político-eleitoral e ingressado no campo da desinformação por grave descontextualização. Sob esse prisma, os elementos apresentados são suficientes para evidenciar a probabilidade do direito invocado afirma a ministra.



