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31 agosto 2026

Mercado do Açúcar em Alta: Impacto nas Ações de Usinas Sucroenergéticas

O mercado do açúcar está em alta, impulsionado por fatores climáticos e demanda global, valorizando as ações de usinas sucroenergéticas.

Mercado do Açúcar em Alta: Impacto nas Ações de Usinas Sucroenergéticas

O mercado do açúcar está em alta, e essa valorização está refletindo diretamente nas ações das usinas sucroenergéticas. Na última segunda-feira (31), os contratos futuros do açúcar negociados na ICE registraram um avanço significativo, impulsionando as ações de empresas como São MartinhoJalles e Raízen.

Por volta das 14h50 (horário de Brasília), o contrato do açúcar com vencimento em outubro de 2026 avançava 1,31% cotado a US$ 0,1779 por libra-peso. Esse movimento positivo da commodity no mercado internacional tem sido sustentado por diversos fatores, incluindo condições climáticas adversas e a retomada das compras pela Índia.

Fatores Climáticos e Demanda Global

Marcelo Di Bonifácio, analista da StoneX explica que o açúcar foi uma das commodities agrícolas que mais subiram em agosto. “O principal fator é o clima, mas há outros elementos, como a retomada das compras pela Índia. A questão climática mais crítica é a safra de beterraba da União Europeia pelas ondas de calor que não foram seguidas de chuvas adequadas.”

A safra 2026/2027 de beterraba da UE foi reduzida de 14,1 milhões para 13,4 milhões de toneladas o menor patamar do século. Esse cenário de escassez tem levado a União Europeia a importar mais açúcar, demandando mais do Brasil principal produtor e exportador global.

Na Índia, a situação não é diferente. O país enfrenta estoques mais apertados, menor produção e forte demanda ligada ao período de festividades. O governo indiano autorizou, pela primeira vez em quase uma década, importações de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa, reforçando a percepção de que o mercado global pode ficar mais dependente das exportações brasileiras no curto prazo.

Impacto nas Ações das Usinas Sucroenergéticas

As ações das usinas sucroenergéticas têm reagido positivamente às oscilações do açúcar. Na última segunda-feira (31), a São Martinho (SMTO3) liderava os ganhos do setor, com alta de 4,42%. Já a Jalles (JALL3) avançava 6,24%. A Raízen (RAIZ4) que está em recuperação extrajudicial e negocia a centavos, recuava 4,35%.

No último mês, SMTO3 e JALL3 acumularam altas de 36,36% e 27,80% respectivamente, enquanto RAIZ4 recuou 11,54%. Esse cenário reflete a revisão positiva das expectativas para a rentabilidade das usinas com maior exposição ao adoçante.

Projeções e Expectativas para o Mercado do Açúcar

Casas de análise como StoneX e Czarnikow revisaram suas projeções, migrando de uma expectativa de superávit para déficits ou saldos bem mais apertados no balanço mundial da commodity. No Brasil principal produtor e exportador global, as estimativas para a nova temporada apontam uma produção ligeiramente menor, enquanto parte das usinas tem mantido maior flexibilidade para direcionar a cana ao etanol em regiões onde a rentabilidade do biocombustível permanece competitiva.

Esse cenário reduz as expectativas de oferta adicional de açúcar no mercado internacional, sustentando as cotações. A combinação de fatores climáticos adversos, demanda global e revisões de projeções tem criado um ambiente favorável para o mercado do açúcar, impulsionando as ações das usinas sucroenergéticas.

Autor

Bruno Costa