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31 agosto 2026

Telescópio Espacial Nancy Grace Roman: nova era na astrofísica

A Nasa lançou o telescópio Roman para investigar energia escura, matéria escura e exoplanetas, complementando os telescópios Hubble e James Webb.

Telescópio Espacial Nancy Grace Roman: nova era na astrofísica

A Nasa deu um passo significativo na exploração do cosmos com o lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman um projeto de aproximadamente US$4 bilhões que promete revolucionar nossa compreensão do universo. Lançado no domingo a partir do Centro Espacial Kennedy em Cabo Canaveral, Flórida o telescópio foi enviado ao espaço a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX marcando o início de uma missão que pode durar até dez anos.

O telescópio, que se posicionará no Ponto de Lagrange 2 a cerca de 1,6 milhão de km da Terra foi originalmente projetado para um programa de satélites espiões do Escritório Nacional de Reconhecimento (NRO). Após o programa ser encerrado, o NRO doou o telescópio à Nasa em 2012 que o redirecionou para a exploração cósmica.

Missão e objetivos do telescópio Roman

O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman tem como principal objetivo investigar enigmas cósmicos, como a energia escura e a matéria escura além de testar a gravidade em grandes escalas e buscar exoplanetas. A missão está prevista para durar cinco anos mas a Nasa acredita que o telescópio pode ter combustível suficiente para mais cinco anos de operações.

Julie McEnery, cientista sênior do projeto Roman, destacou a importância do lançamento: “Parece que estou à beira de um precipício, e estamos prestes a dar um passo rumo ao desconhecido.” O telescópio será comissionado nos próximos 90 dias preparando-se para suas operações científicas. Jackie Townsend, gerente de projeto do telescópio Roman, afirmou que as primeiras imagens de alta resolução devem ser transmitidas “antes das férias de inverno” no hemisfério norte.

Complementando os telescópios Hubble e James Webb

O Roman se baseará nas capacidades dos telescópios Hubble e James Webb lançados em 1990 e 2026 respectivamente. Enquanto o Webb é especializado em observar regiões distantes do universo com grande profundidade e sensibilidade, o Roman oferece uma visão panorâmica, comparada a uma lente grande-angular de câmera.

McEnery explicou que o Roman possui a mesma sensibilidade e nitidez de visão que o Hubble, mas é capaz de mapear o cosmos muito mais rapidamente. Enquanto o Hubble levaria um século para mapear toda a Via Láctea o Roman pode fazer isso em apenas um mês. O Webb, por outro lado, é especializado em observar através de vastas distâncias e recuar no tempo, devido ao tempo que a luz leva para viajar.

Explorando a energia escura e a matéria escura

O universo, que surgiu há cerca de 13,8 bilhões de anos com o Big Bang vem se expandindo desde então. Essa expansão está se acelerando, e a causa hipotética dessa aceleração é a energia escura. O conteúdo do universo inclui matéria comum (como estrelas, planetas e gás), matéria escura e energia escura.

A matéria comum representa cerca de 5% do conteúdo do universo, enquanto a matéria escura, conhecida por suas influências gravitacionais sobre galáxias e estrelas, pode representar cerca de 27%. A energia escura, por sua vez, pode representar cerca de 68%. O Roman ajudará a medir a atração exercida pela matéria escura e o efeito de expansão provocado pela energia escura, permitindo que os cientistas cheguem mais perto de solucionar esses mistérios.

O telescópio também realizará uma das buscas mais abrangentes já feitas por exoplanetas, com a expectativa de descobrir milhares de novos mundos e fornecer o primeiro censo estatístico de sistemas planetários semelhantes ao nosso.

Autor

Bruno Costa