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6 outubro 2026

Como a queda nas taxas do Tesouro IPCA+ afeta investidores após o primeiro turno

A queda nas taxas do Tesouro IPCA+ após o 1º turno pode virar o jogo para quem investe em títulos atrelados à inflação.

Como a queda nas taxas do Tesouro IPCA+ afeta investidores após o primeiro turno

Na segunda-feira (5), o Tesouro Direto registrou uma forte reação ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. O senador Flávio Bolsonaro (PL) saiu na frente com 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou com 45,16%. Com a disputa já encaminhada para o segundo turno em 25 de outubro, os agentes de mercado passaram a rever as expectativas sobre a política fiscal e monetária, o que se refletiu imediatamente nas taxas dos papéis públicos.

Primeiro turno e a reação imediata dos mercados

Assim que os números foram divulgados, o Ibovespa avançou cerca de 7,5%, fechando em 206.569,99 pontos, e o dólar recuou aproximadamente 4,5%, cotado a R$ 4,9845. O otimismo surgiu da percepção de que o controle das contas públicas poderia ser mais rigoroso caso Flávio Bolsonaro vença, o que empurrou a demanda por ativos de renda fixa. Já os títulos prefixados sofreram a maior queda em taxa da série histórica desde 2005, com o Tesouro Prefixado 2032 despencando para 12,95% ao ano – nível recorde de baixa.

Impacto nos títulos Tesouro IPCA+ – o que mudou nas taxas

Os papéis Tesouro IPCA+ também registraram uma queda nas taxas exigidas pelo mercado, mas o efeito nos preços foi o oposto: quando a taxa real diminui, o preço do título sobe. Na manhã de 5 de outubro, o título IPCA+ 2032 oferecia ganho real de 6,91% ao ano, abaixo dos 7,66% observados na sexta-feira (2). O IPCA+ 2040 passou a render 6,50% e o IPCA+ 2050 6,32%, representando uma queda de mais de 7 pontos percentuais nos vencimentos mais longos quando comparados aos níveis pré-eleição. Essa compressão das taxas indica maior confiança de que a inflação poderá ser mantida sob controle, mas também aumenta a volatilidade dos papéis de prazo mais longo.

A marcação a mercado e os ganhos para quem vende antes do vencimento

A dinâmica de marcação a mercado beneficia quem decide liquidar o título antes da data de vencimento. Simulações realizadas pelo InfoMoney mostram que quem comprou R$ 10 mil em IPCA+ 2050 em 30 de julho – taxa de 7,54% ao ano – teria um valor de resgate de R$ 12.953,47 nesta segunda-feira, resultando em lucro bruto de 29,5%. Desses ganhos, R$ 1.973,17 foram gerados apenas entre a abertura de sexta-feira e a de segunda-feira. O IPCA+ 2040 adquirido na mesma data com taxa de 7,83%, rendia R$ 11.865,03, equivalente a 18,7% de retorno total. Entre os títulos prefixados, o Prefixado 2032 comprado em 22 de junho a 14,90% ao ano, entregaria um ganho de 13,2% ao ser vendido hoje.

Estratégias para o investidor: manter ou aproveitar a queda

Especialistas recomendam que quem já possui Tesouro IPCA+ mantenha o foco no horizonte de investimento original. Como a rentabilidade contratada permanece garantida até o vencimento oscilações de curto prazo não alteram o retor Por outro lado, para quem ainda não faz parte da carteira, a elevação recente das taxas pode representar uma oportunidade de entrada, especialmente nos vencimentos mais longos, desde que o perfil de risco e o prazo estejam alinhados ao objetivo do investidor. Otávio Araújo consultor da ZERO Markets Brasil, enfatiza que a decisão deve ser guiada pela estratégia de preservação contra a inflação e não pela reação emocional ao dia da eleição.

Em síntese, o primeiro turno serviu como catalisador para a correção das expectativas de juros e inflação no Brasil. Enquanto o mercado aguarda o desfecho do segundo turno, a volatilidade deve permanecer concentrada nos títulos de prazo mais extenso, e a marcação a mercado continuará oferecendo oportunidades both de lucro para quem vende antecipadamente e de aquisição para quem pretende garantir um ganho real no longo prazo.