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23 setembro 2026

Carta do Centro Brasil no Clima orienta políticas estaduais de 2027-2030

Cartas climáticas aos estados, fórum internacional e fundo recorde prometem mudar a agenda ambiental brasileira até 2030.

Carta do Centro Brasil no Clima orienta políticas estaduais de 2027-2030

O Centro Brasil no Clima (CBC) divulgou, em setembro, um conjunto de cartas dirigidas aos candidatos que disputarão os governos estaduais nas eleições de 2026. Cada documento apresenta um diagnóstico técnico independente sobre governança climática, trajetória de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e vulnerabilidades socioambientais, seguido de recomendações setoriais que se organizam em quatro eixos: governança e legislação, energia e mobilidade, uso do solo e biodiversidade, e adaptação e riscos.

Em São Paulo, o CBC destaca a necessidade de consolidar o FINACLIMA-SP como central de apoio técnico a municípios vulneráveis, ampliar sistemas de alerta precoce e investir em infraestrutura verde contra inundações. Também propõe orientações para ondas de calor – arborização urbana e abrigos climáticos – e a eletrificação das frotas de transporte público, reforçando o papel do estado na produção de etanol, biogás e combustível de aviação sustentável (SAF).

No Rio de Janeiro, a prioridade recai sobre a integração de metas climáticas mensuráveis ao orçamento estadual, o mapeamento de áreas de risco nas serras e nas encostas metropolitanas, e a universalização do saneamento. A carta ainda sugere uma estratégia de diversificação econômica que diminua a dependência do petróleo, reduza emissões fugitivas de metano e expanda energia solar distribuída, eólica offshore e hidrogênio de baixo carbono.

Para o Rio Grande do Sul, ainda em fase de reconstrução após as enchentes de 2024, o CBC recomenda vincular metas climáticas à reabilitação de sistemas de proteção contra cheias e à implantação de alertas integrados nos municípios. Na pauta energética, destaca-se a execução do Plano de Transição Energética Justa, com maior participação de energia eólica, solar e biogás proveniente de resíduos agroindustriais.

A Bahia tem como foco a segurança hídrica no semiárido, o mapeamento integral de áreas sujeitas a deslizamentos e a consolidação de instrumentos de planejamento de médio e longo prazo. No Pará, a ênfase recai sobre o combate ao desmatamento, às queimadas e à seca, enquanto o Mato Grosso recebe recomendações para prevenção de incêndios, garantia de recursos hídricos e redução do desflorestamento.

Agenda Global 2026 traz diálogos sobre ativos brasileiros e investimentos climáticos

Durante a semana da Assembleia-Geral da ONU e da Climate Week, o Fórum Agenda Global 2026, organizado pelo Valor e pela Amcham Brasil, reuniu lideranças empresariais, autoridades e investidores em Nova York. O debate ressaltou que o Brasil possui um “conjunto de ativos muito valiosos”, como a produção agrícola em escala, uma matriz energética diversificada e renovável, abundantes recursos naturais, biodiversidade e um parque industrial avançado.

Ainda assim, os participantes apontaram que o desafio está em transformar esses ativos em valor econômico inovação e fluxos de investimento. Foram citados dois marcos recentes – um regulamento para data centers e outro para minerais críticos – como passos positivos, mas que ainda dependem de previsibilidade regulatória e de diálogos contínuos entre governos, setor privado e instituições financeiras.

A mensagem central de Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, foi que temas como tecnologia, inteligência artificial, energia, clima e segurança são interdependentes e precisam ser tratados como partes de uma mesma equação geopolítica que redefine o comércio e os fluxos de capitais globais.

Fundo Clima avança para R$ 54,7 bi em 2027, mas enfrenta atrasos nos desembolsos

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2027 propõe um orçamento recorde de R$ 54,7 bilhões para o Fundo Clima representando um crescimento de 28 % em relação ao valor deste ano. A maior parte dos recursos será destinada a operações de crédito via BNDES e Eco Invest; a parcela de recursos não reembolsáveis corresponde a apenas R$ 5,9 milhões.

Embora o orçamento tenha aumentado de forma significativa nos últimos três anos – de R$ 13,6 bi em 2024 a R$ 42,5 bi em 2026 – a velocidade dos desembolsos tem sido limitada. Em 2026, por exemplo, apenas R$ 6,6 bi foram efetivamente aprovados até agosto, dos quais R$ 4,6 bi avançaram para a fase de contratação, ficando ainda indisponíveis para o público até a assinatura dos contratos.

O processo de liberação passa por três etapas: aprovação pelo BNDES, negociação e assinatura do contrato com o beneficiário, e finalmente o desembolso. Essa sequência gera um hiato de cerca de um mês entre a aprovação e a divulgação pública dos detalhes, o que explica a aparente lentidão entre orçamento e execução.

Especialistas do setor financeiro, como Marcelo Marangon do Citi, reiteram que a abundância de recursos naturais, a capacidade de geração de energia renovável e a integração do Brasil nos mercados globais são vantagens competitivas que precisam ser convertidas em investimentos reais, exigindo diálogo e previsibilidade entre todos os atores envolvidos.