Nos últimos dias, o Bitcoin (BTC) tem caminhado em torno de US$ 75 mil, apresentando um pequeno ganho de 0,3% nas últimas 24 horas, mas ainda registrando uma queda de 2,2% ao longo da última semana. Essa trajetória discreta ocorre em meio a duas ondas de pressão distintas: a vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, popularmente chamada de “onda azul”, e o relatório de payroll que revelou um mercado de trabalho mais forte do que o esperado.
Impacto da “onda azul” nas expectativas de regulação
A vitória dos democratas tanto na Câmara quanto no Senado, confirmada na terça-feira (3), alterou o panorama político americano. O presidente Donald Trump, que defendia regras mais flexíveis para criptoativos, viu sua agenda enfraquecer, gerando dúvidas sobre a continuidade de propostas favoráveis ao setor. Analistas apontam que um Congresso dominado pelos democratas pode favorecer uma postura regulatória mais cautelosa, o que pressiona os investidores a reconsiderarem esposas em Bitcoin e demais moedas digitais.
Dados de emprego e a perspectiva de juros do Fed
Na sexta-feira (6), o relatório de payroll mostrou a criação de 165 mil empregos em outubro, bem acima das 65 mil vagas projetadas. Simultaneamente, a taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%. Esses números reforçam a ideia de que a economia americana está resiliente, incrementando a probabilidade de que o Federal Reserve (Fed) mantenha ou até eleve a taxa de juros por mais tempo. Juros mais altos costumam tornar os títulos do Tesouro mais atrativos, reduzindo o apetite por ativos de risco como o Bitcoin.
Fluxos nos ETFs de Bitcoin e comportamento das demais criptomoedas
Além do cenário macro, o mercado de cripto viu saídas líquidas de US$ 430,2 milhões dos ETFs de Bitcoin à vista, revertendo as entradas registradas no dia anterior. Essa retirada de capital acrescentou pressão ao preço, que já lutava para reencontrar a zona dos US$ 80 mil. Enquanto isso, outras moedas mantiveram movimentos variados: Ethereum (ETH) chegou a US$ 2.241,29 com alta de 0,1%, Solana (SOL) subiu 0,7% para US$ 89,90 e XRP avançou 3% cotado a US$ 1,16. O panorama indica que, embora o Bitcoin enfrente desafios, o ecossistema cripto ainda demonstra resiliência em setores específicos.
Perspectivas técnicas e níveis de suporte
Do ponto de vista gráfico, os analistas observam um suporte crítico entre US$ 73 mil e US$ 76 mil, área que coincide com a média móvel de 200 dias e o custo médio de compra dos investidores recentes. Caso esse patamar seja rompido de forma consistente, a atenção se volta para a próxima zona de liquidez, situada entre US$ 62 mil e US$ 67 mil, onde o Bitcoin se consolidou entre julho e agosto. Por outro lado, a manutenção do suporte e a estabilização das bolsas americanas poderiam abrir caminho para um novo teste dos US$ 80 mil, embora isso dependa da evolução dos indicadores macroeconômicos e da resposta regulatória nos EUA.
Em síntese, o comportamento do Bitcoin nesta semana reflete a convergência de fatores políticos, macroeconômicos e fluxos de investimento. Enquanto a “onda azul” traz incertezas regulatórias, o robusto relatório de empregos eleva as expectativas de juros, afetando a atratividade dos ativos de risco. Investidores atentos a esses vetores – bem como aos níveis de suporte e liquidez – estão melhor posicionados para navegar a volatilidade atual.



