Pular para o conteúdo
23 outubro 2026

Ex-dirigentes do BRB são alvos da PF no caso Banco Master

PF mira ex-dirigentes do BRB por suposta fraude no empréstimo que financiou a mansão de Flávio Bolsonaro

Ex-dirigentes do BRB são alvos da PF no caso Banco Master

A Polícia Federal abriu a investigação de três membros que faziam parte da Diretoria Colegiada do Banco de Brasília (BRB) quando o senador Flávio Bolsonaro e sua esposa Fernanda firmaram um financiamento imobiliário de R$ 3,1 milhões. O caso ganhou força ao ser associado ao processo conhecido como Banco Master, que já envolve suspeitas de corrupção em transações de carteiras de crédito. A apuração, iniciada em 2024, aponta que os ex-diretores teriam participado de decisões que fogem às normas internas do banco público, levantando dúvidas sobre a regularidade da operação que permitiu a compra da famosa mansão no Lago Sul.

Detalhes do crédito que financiou a mansão

Em janeiro de 2021, o casal Bolsonaro adquiriu um imóvel de 1.100 m² no Setor de Mansões Dom Bosco, Lago Sul, por R$ 5,97 milhões. O bem inclui piscina, academia e spa, e foi vendido pelo empresário Juscelino Sarkis. Segundo a documentação, os bolsonaristas desembolsaram R$ 2,9 milhões com recursos próprios, declarando renda mensal conjunta de R$ 36.957,68. O saldo restante, R$ 3,1 milhões, foi concedido pelo empréstimo do BRB com prazo de 30 anos. Contudo, o pagamento foi concluído em apenas três anos, após seis parcelas antecipadas que somaram R$ 3,4 milhões, encerrando a dívida em março de 2024.

Investigação da Polícia Federal e suspeitas de gestão fraudulenta

Por meio da Lei de Acesso à Informação, a PF identificou que os responsáveis pela deliberação eram o então presidente Paulo Henrique Costa, a diretora executiva de Gestão de Pessoas Cristiane Maria Lima Bukowitz e o diretor executivo de Rede e Canais Dario Oswaldo Garcia Júnior. Todos tinham direito a voto nas decisões que envolveram a compra de carteiras de crédito de um banco liquidado pertencente a Daniel Vorcaro. A investigação aponta que essas aprovações podem ter sido influenciadas por propinas, sendo Costa apontado como suspeito de receber imóveis como pagamento por favorecimento – um dos maiores escândalos bancários já registrados no país.

Ligação com o caso Banco Master

O caso Banco Master envolve a tentativa de aquisição de participações acionárias do BRB por parte de um consórcio liderado por Vorcaro. Segundo denúncia de delação premiada, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Barreta, teria exigido suborno para viabilizar o aumento de capital que permitiria a compra das carteiras. Valores acima de R$ 80 milhões seriam entregues em espécie, parte em contratos fictícios com escritórios de advocacia. Embora a investigação sobre o governador ainda não tenha resultado em prisão, o desdobramento reforça o cenário de corrupção que permeia as decisões de crédito aprovadas pelos diretores citados.

Repercussões políticas e posição do BRB

A descoberta gerou reação imediata de autoridades. O Ministério Público do Distrito Federal requisitou informações e a deputada Erika Kokay pediu a anulação do contrato alegando violação das normas internas do banco. No debate televisivo da TV Bandeirantes, o candidato à presidência Lula interrogou Flávio Bolsonaro sobre como “um cidadão que ganha o mesmo salário que eu pode comprar uma casa de R$ 10 milhões”, trazendo o caso ao centro da campanha eleitoral. O BRB, por sua vez, defendeu que o financiamento seguiu os mesmos critérios aplicados a demais clientes, mencionando a análise de “quatro rendas líquidas”. O banco ainda não esclareceu se a decisão passou por votação colegiada ou por instância isolada, alimentando dúvidas sobre a transparência dos processos internos.