A companhia de energia Raízen (código RAIZ4) avançou mais um passo em seu plano de recuperação extrajudicial. Em comunicado divulgado em 21 de outubro de 2026, a empresa informou a intenção de captar até R$ 3,5 bilhões por meio de um aumento de capital privado. A operação será feita mediante a emissão de novas ações ordinárias, bem como de ações preferenciais das classes A (PNA) e B (PNB), a um preço fixado de R$ 0,25 por papel, independentemente da espécie.
Detalhes da proposta de aumento de capital
A proposta estabelece que a subscrição mínima será de 14 bilhões de ações, totalizando, ao todo, um volume que pode chegar a R$ 3,5 bilhões se todos os direitos forem exercidos. Cada ação emitida concederá pleno direito a dividendos, juros sobre capital próprio e demais proventos distribuídos pela companhia. As ações da classe B (PNB) terão um tratamento especial: não serão admitidas à negociação em bolsa nem em mercado de balcão organizado, permanecendo exclusivamente registradas no livro nominativo da empresa.
Calendário e etapas de aprovação
O cronograma divulgado indica que a divulgação ao mercado ocorreu em 21/10/2026, seguida por Assembleia Geral Extraordinária (AGE) e Assembleia Especial em 30/10/2026, quando serão deliberadas a criação das ações PNB, a redesignação das atuais preferenciais para classe A e a implementação de um programa de units. Caso aprovado, o assunto será encaminhado ao Conselho de Administração para deliberação em reunião prevista para 5 de novembro de 2026. O período de direito de preferência iniciará em 6 de novembro e se encerrará em 7 de dezembro, permitindo que acionistas registrados até o fim do pregão da B3 em 5/11 exerçam sua prioridade.
Impactos para acionistas e perspectiva da empresa
Para os investidores, a medida traz um duplo efeito. Por um lado, o aporte pode fortalecer a estrutura de capital da Raízen, ampliando o espaço para a capitalização de créditos previstos no plano de recuperação. Por outro, a diluição decorrente da emissão de novas ações pode reduzir a participação daqueles que optarem por não exercer o direito de preferência. Além disso, a empresa propôs a mudança de ticker das ações preferenciais atuais para RAIZ5 a partir de 3 de novembro de 2026, caso a redesignação seja aprovada.
Esta operação surge cerca de 20 dias após a divulgação de um pacote mais amplo de mudanças, que inclui a reconstituição do conselho de administração, a criação de novas classes de ações e a proposta de redução de capital de até R$ 35 bilhões. O contexto de fundo é a crise financeira vivida nos últimos meses, com prejuízos bilionários, endividamento elevado e pressão sobre a geração de caixa. A companhia tem acelerado a venda de ativos, reduzido investimentos e já homologou um Plano de Reestruturação Extrajudicial (PRE) em junho de 2026 para renegociar parte de suas dívidas.
Se as aprovações societárias forem concluídas, a capitalização será homologada em reunião do Conselho de Administração marcada para 16 de dezembro de 2026, com o crédito efetivo das novas ações previsto para 18 de dezembro. Estas datas, embora indicativas, traçam o caminho que a Raízen pretende percorrer para sair da fase mais crítica de sua história e restaurar a confiança dos investidores.



