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18 outubro 2026

Tom Cruise encarna o magnata Digger em crítica ao aquecimento global

Tom Cruise lidera Digger, sátira que transforma a crise climática em humor ácido e provocador.

Tom Cruise encarna o magnata Digger em crítica ao aquecimento global

A explosão de uma plataforma petrolífera pertencente ao magnata Digger Rockwell, situada na Groenlândia, desencadeia uma cadeia de eventos que ameaçam desprender um iceberg gigantesco. O cenário fictício, porém carregado de simbolismo, serve de ponto de partida para o filme Digger onde o protagonista ignora alertas de segurança e, preocupado apenas com sua gata doente, liga para a Casa Branca em busca de soluções improváveis.

Ao longo da narrativa, a trama revela que a única resposta oficial dos EUA é cruzar os dedos, esperando que as correntes oceânicas afastem a massa de gelo da Europa. Essa postura mínima reflete, segundo o diretor, a cultura de buscas por curtidas e de provocar desconforto nas redes sociais, uma crítica direta ao modo como a sociedade contemporânea lida com crises.

A visão de Alejandro Iñárritu e suas influências cinematográficas

Dirigido por Alejandro Iñárritu o filme transita entre a sátira ambiental e a comédia de humor negro. Iñárritu, premiado com Oscar de melhor diretor por Birdman (2014) e O Regresso (2015), utiliza o mesmo rigor visual que marcou suas obras anteriores, mas desta vez abandona a melancolia para abraçar uma ironia escaldante. A produção conta com Tom Cruise no papel de Digger, que passou seis horas diárias em maquiagem para alcançar a aparência de um idoso magnata do petróleo.

O diretor também rende homenagem a clássicos como Dr. Fantástico (1964), de Stanley Kubrick, ao reconstruir a reunião de emergência entre o magnata e o presidente dos EUA em uma sala que lembra a famosa “war room”. A sequência final projeta uma Nova York distópica, reminiscente da cena final de Planeta dos Macacos (1968), fechando o círculo de referências históricas que reforçam o tom crítico do filme.

Recepção, leituras críticas e o debate sobre encenação ambiental

Em entrevista ao New York Times Iñárritu declarou que tudo hoje “não passa de uma tentativa de chamar a atenção, de ganhar curtidas, de causar desconforto, de ser irritante – essa é a cultura em que vivemos”. Essa frase se tornou ponto de partida para discussões sobre a autenticidade de eventos como as COPs e a postura de ativistas como Greta Thunberg na ONU. Conforme apontado por Jerônimo Teixeira no Page9 a película levanta a questão de até que ponto a luta climática pode ser percebida como encenação.

O público, dividido entre quem vê a obra como um espelho crítico e quem a considera excessivamente provocadora, tem reagido de maneira polarizada. Enquanto alguns elogiam a ousadia de transformar a crise climática em comédia, outros apontam para o risco de banalizar um problema de escala planetária. De qualquer forma, Digger consegue provocar reflexão ao colocar a ganância por petróleo como catalisadora de um desastre que poderia destruir cidades europeias.