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3 outubro 2026

Mercados reagem ao cenário eleitoral: juros, bolsa e dólar

Descubra por que a curva de juros reverteu, o Ibovespa bate recorde de abril e o dólar recua, tudo ligado ao clima eleitoral.

Mercados reagem ao cenário eleitoral: juros, bolsa e dólar

Na tarde da sexta-feira, 2 os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram o pregão em queda pronunciada, sinalizando que o mercado está reavaliando as probabilidades de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais. A taxa para janeiro de 2027 deslizou de 13,563% para 13,510%, enquanto o contrato de 2029 recuou de 13,821% para 13,690% e o de 2031 passou de 14,034% para 13,920%.

Expectativas eleitorais e ajustes de posição

Analistas consultados pela Broadcast explicam que o movimento reflete um ajuste de posições diante de um cenário no qual as chances de Flávio Bolsonaro aumentam. A Polymarket plataforma de apostas, indica 55% de probabilidade para o senador contra 45% para o presidente Lula. Apesar desse viés, a pesquisa Datafolha divulgada na noite de quinta-feira mantinha o quadro de empate técnico, sem precificar ativos.

O economista-chefe da Montebravo Felipe Tavares, resumiu a sensação dos operadores: “É só animação com a eleição mesmo”. Já Kimberley Sperrfechter, da Capital Economics adiantou que uma vitória de Flávio no domingo poderia impulsionar o real e as ações em torno de 3% a 4%, semelhante ao que ocorreu nas eleições de 2018 e 2022. Por outro lado, Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset apontou que o mercado ainda percebe um cenário muito apertado com Lula ainda à frente nas projeções de curto prazo.

Reação da curva de juros e dos principais ativos

No acumulado da semana, a curva de juros futuros ganhou inclinação: o contrato de 2027 recuou cerca de 5 pontos-base e o de 2029, 15 pontos-base, enquanto os vencimentos mais longos permaneceram estáveis. A tendência de baixa se consolidou por volta das 15h, mesmo com pressão ascendente nos Treasuries americanos. Um estrategista de grande tesouraria ressaltou que não houve um gatilho específico para o recuo, apenas a “animação” em torno do pleito.

Paralelamente, o Ibovespa encerrou a sexta-feira com alta de 2,63%, chegando a 192.114,55 pontos, seu nível mais alto desde abril. O desempenho foi puxado principalmente pela valorização da Petrobras (PETR4). Na semana, o índice acumulou 4,7% de alta, sinalizando otimismo entre investidores locais. O dólar à vista recuou 0,07%, cotado a R$ 5,2165, embora ainda apresentasse alta de 0,67% no período de sete dias.

Influência externa: dólar e Treasuries dos EUA

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries subiram novamente após tocarem máximas de duas décadas na quinta-feira. O título de 10 anos avançou de 5,242% para 5,279% às 18h04 (horário de Brasília). O movimento foi alimentado pelos dados de payroll de setembro, que mostraram criação de apenas 29 mil empregos, bem abaixo da expectativa de 84 mil, provocando um breve recuo nas taxas antes da retomada.

Segundo Marianna Costa, o relatório de emprego indicou que o mercado de trabalho americano permanece em “acordo”, mas ainda demonstra crescimento sólido, justificando a abertura dos Treasuries e a cautela que costuma anteceder os finais de semana. Essa combinação de fatores externos e a expectativa de um cenário fiscal mais favorável caso Flávio Bolsonaro vença contribuiu para a queda dos prêmios de risco nos títulos soberanos brasileiros.

Enquanto o debate televisivo foi cancelado, os mercados continuam a precificar o resultado do primeiro turno, mantendo a atenção voltada para o fim de semana de votação.