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6 outubro 2026

Bolsa brasileira atinge recorde histórico depois das eleições de 2026

Ibovespa bate recorde e supera 200 mil pontos depois da surpreendente vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, poucos minutos antes de investidores estrangeiros impulsionarem o mercado.

Bolsa brasileira atinge recorde histórico depois das eleições de 2026

Na manhã de 5 de outubro, o Ibovespa ultrapassou a barreira dos 200 mil pontos, encerrando o pregão em 206.911,89 pontos – alta de 7,7% em relação ao dia anterior. O salto inesperado foi disparado pela divulgação dos resultados do primeiro turno da eleição presidencial de 2026 onde o senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos, superando Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ficou com 45,16%. Esse cenário alterou drasticamente o panorama de risco-retorno do mercado brasileiro, levando os investidores a reavaliar rapidamente suas posições.

Recorde histórico e comparação com projeções

Com a marca de 206.911,89 pontos, o Ibovespa registrou sua maior alta diária desde os 9,69% obtidos em março de 2020, durante a crise da Covid-19. A trajetória do índice já vinha em ascensão: após fechar 2025 em forte alta, ele renovou sucessivas máximas históricas, atingindo 198.657 pontos em abril e 209.605,70 pontos como pico intradiário nesta sessão. Analistas que, em abril, projetavam o índice entre 190 mil e 220 mil pontos para o final de 2026, veem agora a realidade se aproximando do limite superior da estimativa.

Fluxo de capitais externos e ETFs

O otimismo não ficou restrito ao mercado interno. O ETF MSCI Brasil negociado na Bolsa de Frankfurt, subiu mais de 14% na madrugada, enquanto o ETF EWZ que reúne as maiores empresas brasileiras nos EUA, avançava 12,1% ao redor das 10h. A forte entrada de capital estrangeiro refletiu a percepção de que a vitória de Flávio Bolsonaro poderá gerar um ambiente de política fiscal mais amigável às empresas, acelerando a recuperação econômica. Bancos de investimento globais, como JPMorgan e UBS, elevaram suas recomendações para as ações brasileiras, sinalizando que o risco-retorno do país está mais atrativo que em outras nações latino-americanas.

Desempenho setorial e protagonistas da alta

Os papéis de setores sensíveis à redução de juros foram os maiores beneficiados. Magazine Luiza (MGLU3) liderou os ganhos, disparando 24,18%, seguido por Lojas Renner (LREN3) (+15,39%) e C&A (CEAB3) (+19,71%). No segmento de varejo alimentar, Assaí (ASAI3) avançou 12,98%, enquanto as construtoras Cyrela (CYRE3) e MRV (MRVE3) subiram 18,4% e 11,37%, respectivamente, graças à queda dos juros DI, que se mantiveram próximos a 12% em toda a curva. Entre as acionistas de energia e bancos, Petrobras (PETR4) subiu 8,19% e Vale (VALE3) recuou menos de 1%, indicando que a euforia ainda não chegou a descaracterizar os fundamentos setoriais.

Perspectivas para o segundo turno e volatilidade

Especialistas alertam para um período de alta volatilidade até o segundo turno, marcado para 25 de outubro. O analista Gabriel Mollo (Daycoval) destaca que a formação de alianças e a capacidade de articulação do próximo governo serão decisivas para a manutenção da confiança dos investidores. A expectativa de um ajuste fiscal credível, aliado a um cenário de juros mais baixos, pode prolongar o atual “lua de mel” da Bolsa. Por outro lado, fatores externos – como a desvalorização do euro e as decisões de política monetária do Federal Reserve – continuam a influenciar o humor dos mercados globais.