Na noite de sábado (17), a empresária de 41 anos e diretora da RL Consultoria e Intermediações concedeu entrevista à CNN Brasil. Ela está no centro das investigações da Operação Sem Desconto que apura fraudes no INSS, e responde a mandados de busca, bloqueio de bens e ao uso de tornozeleira eletrônica.
Acusações de encontros entre Lulinha e ministros
A lobista declarou que seu amigo Fábio Luís Lula da Silva conhecido como Lulinha, teria se reunido “inúmeras vezes” com membros do gabinete federal, inclusive viajando à casa do ministro Camilo Santana no Ceará. Segundo ela, os encontros eram frequentes, “semanalmente”, para “trocar figurinha” ou discutir pautas de política pública. Em tom incisivo, afirmou ainda que “presidente que não sabe o que está ocorrendo na antessala dele é mentiroso ou senil”.
Intenção de delação premiada e críticas ao presidente
Roberta Luchsinger informou que pretende firmar um acordo de delção premiada alegando que não poupará ninguém – “não vou poupar o filho do presidente, não vou poupar o presidente”. Ela reforçou que “o que está em questão é a verdade, doa a quem doer” e que sua colaboração visa esclarecer supostos fluxos de influência envolvendo o filho do presidente. A empresária ainda repetiu que “não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta”, desconstruindo a narrativa oficial.
Resposta oficial do presidente Lula
Em nota publicada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou desconhecer integralmente os fatos narrados por Luchsinger, garantindo que nunca manteve interlocução com ela e que não há contrato entre o governo e sua empresa. A mesma comunicação apontou a “estranheza” de tais declarações surgirem “às vésperas do segundo turno” das eleições, classificando-as como tentativa de “manipular a opinião pública” e “tumultuar o processo democrático”.
Histórico de confrontos e alegações anteriores
O embate entre os dois remonta a agosto, quando, em entrevista à TV Globo no dia 27 de agosto, o presidente qualificou Luchsinger de “pilantra”. Menos de dois meses depois, nas vésperas do primeiro turno, ele reiterou o termo, comparando-a ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A lobista, por sua vez, respondeu que “se eu sou pilantra e toda essa turma frequentava minha casa, eles são pilantras como eu”. Ela ainda recordou que defendeu publicamente Lula quando ele foi preso em abril de 2018.
Repercussões pessoais e ameaças
Durante a entrevista, Luchsinger relatou ter recebido ameaças de morte e que suas duas filhas foram alvo de intimidações. Sentindo-se usada como “boi de piranha”, afirmou que o presidente, ao chamá-la de pilantra, contribuiu para sua exposição pública. Ela reiterou que sua vida está “um livro aberto”, mas que não pode entrar em detalhes por restrição judicial.
Os inquéritos que investigam Lulinha, Luchsinger e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro tramitam no STF, originados das buscas da Operação Sem Desconto. As investigações apontam possíveis pagamentos em espécie a integrantes da cúpula do Ministério do Desenvolvimento Social, bem como a existência de uma suposta “sociedade oculta” entre Lulinha e a lobista, alegação que ambas as partes negam.



