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7 outubro 2026

Mercado reage ao avanço de Flávio Bolsonaro: bolsa, dólar e juros em foco

A bolsa rompe recorde após o primeiro turno; veja quem ganha, quem perde e o que ainda pode mudar.

Mercado reage ao avanço de Flávio Bolsonaro: bolsa, dólar e juros em foco

Na manhã de segunda-feira (5), o principal índice da B3, o Ibovespa ultrapassou a marca histórica de 200 mil pontos, chegando a 209 mil antes de fechar em 206.911. Esse salto de quase 8% reflete a surpresa gerada pela vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, que acabou 2,2 milhões de votos à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A reação conjunta da bolsa do dólar e dos juros futuros indica que o mercado começou a precificar a possibilidade de um ajuste fiscal mais rigoroso e de redução da taxa de juros no médio prazo.

Reação imediata do Ibovespa ao resultado eleitoral

Logo após o fechamento da apuração, investidores buscaram ativos que poderiam se beneficiar de uma agenda econômica menos inflacionária. Índice de referência que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa brasileira. A alta se concentrou em varejistas como Magazine Luiza (MGLU3) e Assaí (ASAI3) que já vinham em trajetória ascendente, mas que ganharam impulso adicional ao serem vistas como beneficiárias de menores custos de capital. Setores bilionários, como o de petroquímica e bancário também tiveram alta moderada, impulsionados por expectativas de crédito mais barato.

Juros, risco fiscal e a percepção de crédito

Um dos acordes mais claros da manhã de 5 de outubro foi a queda dos juros de longo prazo, que recuaram mais de 1 ponto percentual na curva de títulos públicos. Essa movimentação indica que os agentes de mercado passaram a enxergar um prêmio de risco menor para a dívida brasileira o que, por sua vez, reduz o custo de financiamento das empresas. Analistas do BTG Pactual estimam que, se a percepção de risco voltar à média dos últimos dez anos, o Ibovespa poderia registrar um ganho adicional de 11% a 20%, excluindo gigantes como Petrobras e Vale. O mesmo banco ressalta que o retorno a múltiplos de lucro dez vezes, que atualmente são os níveis médios, seria o gatilho para esse aumento.

Setores em foco e projeções para o segundo turno

Além das varejistas, XP InvestimentosB3 e BTG Pactual foram apontados como beneficiários de um mercado de capitais mais ativo. Empresas de construção e incorporadoras de médio e alto padrão, como Cyrela (CYRE3) também entram na lista de ações que podem se valorizar com menores taxas de juros. Já no segmento de consumo, marcas como C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3) foram citadas como potenciais ganhadoras de um cenário de recuperação do poder de compra, independente da queda de juros sobre o endividamento. Contudo, especialistas alertam que boa parte da alta já foi incorporada aos preços; o próximo passo dependerá da capacidade do novo governo de apresentar um plano fiscal credível, contendo controle de gastos, reformar a Previdência e conter a expansão da dívida.

Na terça-feira (6), o Ibovespa iniciou o pregão em queda de 0,46%, enquanto o dólar recuou 0,56% para R$ 4,95. Essa correção pontual demonstra que, embora a reação inicial já tenha sido absorvida, o mercado permanece sensível a quaisquer indícios de mudança nas políticas fiscais ou a declarações dos candidatos. Conforme a análise de consultores da Wiser Asset, a volatilidade deve permanecer elevada até o segundo turno, com a bolsa, o real e os juros reagindo a cada discurso ou proposta econômica.