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7 outubro 2026

Aquisição da Oikos eleva ativos do Grupo Primo para R$ 34 bi

Grupo Primo adquire a Oikos e amplia sua presença no segmento de famílias ultra‑ricas.

Aquisição da Oikos eleva ativos do Grupo Primo para R$ 34 bi

Em um movimento que marca o maior M&A da sua trajetória, o Grupo Primo firmou uma troca de ações com a Oikos Wealth Management. A operação trouxe para o conglomerado R$ 8 bilhões em ativos administrados por um family office focado exclusivamente no segmento ultra-high net worth cujos acionistas de referência são as famílias Zarzur e Grisi.

Antes da fusão, o Grupo Primo já oferecia serviços de consultoria de investimentos no modelo fee-based desde fevereiro de 2023, após a aquisição da marca Portfel. Apesar de contar com cerca de 44 mil clientes, o ticket médio girava em torno de R$ 860 mil, valor considerado modesto perante os padrões de grandes gestores. Já a Oikos atendia apenas 40 famílias, exigindo um ticket mínimo de R$ 100 milhões e mantendo um ticket médio de R$ 200 milhões.

Detalhes da operação e perfil das partes

A transação foi estruturada como uma troca de ações, o que transformou os antigos acionistas da Oikos em sócios do Grupo Primo. Com a integração, o grupo passa a controlar R$ 34 bilhões em ativos sob custódia e projeta fechar o exercício com R$ 40 bilhões, mirando R$ 100 bilhões até 2028.

Além de Thiago Nigro, o principal acionista do Grupo Primo, a parceria agora inclui os executivos da Oikos – Fernanda Raimo, Rafael Medeiros, Eduardo Ruske e Renato Mendes – que passam a integrar a gestão estratégica. A XP, investidora minoritária preferencialista desde 2020, permanece sem direito a voto ou veto no conselho.

Estrategia de expansão no segmento private

O objetivo declarado de ambas as casas é reforçar a presença no segmento private que abrange patrimônios entre R$ 20 milhões e R$ 100 milhões, bem como superiores a esse patamar. O Grupo Primo já tinha cerca de R$ 2 bilhões alocados em clientes com mais de R$ 20 milhões em patrimônio, dentro de um universo total de R$ 26 bilhões. A entrada da Oikos permite ao Primo oferecer um serviço mais especializado, segmentado e alinhado ao modelo fee-based multi-custódia que segundo Nigro elimina conflitos de interesse ao possibilitar a abertura de contas em qualquer instituição.

Renato Mendes, co-fundador da Oikos, enfatizou que a combinação da expertise da Oikos com a capacidade de comunicação de Thiago – que fala com milhões de pessoas mensalmente – gera força de negociação para obter melhores condições comerciais aos clientes. Ao mesmo tempo, a Oikos busca reduzir seu ticket mínimo de R$ 100 milhões para R$ 20 milhões, ampliando o leque de famílias atendidas sem perder a independência.

Impacto nos resultados e metas futuras

Com a incorporação, a receita do Grupo Primo deve se dividir aproximadamente em duas áreas iguais: metade proveniente da consultoria de investimentos e da gestora Grão, e a outra metade do negócio de educação financeira e da influência nas redes sociais. A expectativa é que, ainda neste ano, a soma de todas as fontes de receita alcance R$ 500 milhões.

A meta de alcançar R$ 100 bilhões em ativos sob gestão até 2028 pode envolver novos acordos de fusão e aquisição, embora o foco principal permaneça na consolidação orgânica e na ampliação da oferta de serviços. O posicionamento de independência – livre para abrir contas em qualquer custódia – continua sendo um dos pilares estratégicos que diferencia o Grupo Primo no mercado brasileiro.